Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Quando a paz pesa no bolso das petroleiras

Pergunta agora é quais empresas seguem bem posicionadas para atravessar ciclo de preços mais baixos do petróleo

3 de julho de 2026

Por Talita Nascimento

No mercado de petróleo, paz e lucro nem sempre caminham na mesma direção.  O alívio nas tensões entre Estados Unidos e Irã reduziu o prêmio de risco embutido no petróleo, derrubou o Brent para perto de US$ 70 por barril e trouxe questionamentos. Em um mercado em que a geopolítica muda o jogo rapidamente, a pergunta agora é quais empresas seguem bem posicionadas para atravessar um ciclo de preços mais baixos.

A resposta ainda passa pela Petrobras. Apesar de estar entre as companhias mais sensíveis às oscilações do petróleo, a estatal segue como uma das principais recomendações da XP para 2026, ao lado da PRIO.

“Em nossa visão, esses papéis oferecem o melhor equilíbrio de risco e retorno e atratividade em 2026, assumindo que o preço do petróleo permanecerá relativamente elevado por continuar incorporando algum prêmio de risco”, explica o analista Regis Cardoso, da XP, em relatório.  Para ele, a Brava também merece menção em um cenário potencial em que os preços do petróleo permaneçam elevados entrando em 2027.

Em um raciocínio parecido, o Santander publicou, em meados de junho, que o mercado global de petróleo parecia estar a caminhando de uma normalização à medida que os fluxos do Oriente Médio se recuperam, mas que riscos geopolíticos residuais, necessidades de recomposição de estoques e divergências entre agências sobre a demanda devem manter a volatilidade elevada.

De todo modo, mesmo com o conflito entre Estados Unidos e Irã ainda sem resolução definitiva, as projeções para o preço do petróleo no fim de 2026 e em 2027, feitas por diferentes casas, indicam tendência de baixa.

O alívio recente, porém, está longe de significar estabilidade. Em relatório de meados de junho, o Santander avaliou que o mercado deve seguir  convivendo com oscilações provocadas pela recomposição dos estoques globais, pelas incertezas sobre a demanda e pelos riscos geopolíticos que ainda persistem.

Falando especificamente de Petrobras, embora a queda do preço do petróleo tenha efeito negativo, vale lembrar que o Plano de Negócios da companhia de 2026 a 2030 tem a premissa de uma cotação de US$ 63 o barril para 2026, e com US$ 70 o barril a partir de 2027.

Nesse ambiente, mais do que apostar na direção do petróleo, a estratégia passa por identificar empresas capazes de manter bons resultados mesmo em um cenário de preços menos favorável.

Veja também