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Café: fluxo da safra brasileira pode pressionar preço em 4 semanas, estima trading

22 de maio de 2026

Por Leandro Silveira

Santos, 22/05/2026 – A entrada mais intensa da safra brasileira de café no mercado deve ocorrer nas próximas “4 a 6 semanas”, período que pode ampliar a pressão sobre os preços internacionais, afirmou o head de café na Europa da trading Comexim Group, Alex Perk, nos bastidores do Seminário Internacional do Café, encerrado ontem (21), em Santos (SP). Apesar disso, o executivo ressaltou que estoques globais apertados, riscos climáticos e incertezas logísticas continuam limitando movimentos mais fortes de baixa.

“Já há áreas no Brasil que estão sendo colhidas, estão na safra, mas outras ainda estão por começar a colheita”, afirmou Perk. Segundo ele, o fluxo mais relevante da produção brasileira aos mercados consumidores deve acontecer ao longo das próximas semanas. “Ainda vai demorar algum tempo até o café brasileiro chegar aos mercados de destino”, completou.

O executivo destacou que o mercado segue sustentado pelo baixo nível de estoques globais e pelos riscos climáticos no Brasil, mesmo diante da expectativa de uma safra recorde. “A volatilidade é uma característica do mercado que veio para ficar”, disse. Perk afirmou que a Comexim estima uma safra brasileira de 71 milhões de sacas em 2026/27, acima dos 66,7 milhões de sacas projetados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Deste total, cerca de 23 milhões de sacas seriam de conilon e o restante de arábica.

Mesmo com a perspectiva de forte produção, ele ponderou que o mercado ainda convive com incertezas relevantes. “Não podemos nos esquecer de que estamos entrando no inverno brasileiro, com risco de geada”, afirmou. Questionado sobre a avaliação de que a safra brasileira pode não ser suficiente para recompor totalmente o equilíbrio global entre oferta e demanda, ele concordou: “Eu também acredito nisso”.

O executivo chamou a atenção, além disso, para os possíveis impactos do fenômeno climático El Niño sobre a produção de robusta no Sudeste Asiático. Segundo ele, uma eventual quebra na região pode deslocar a demanda para o arábica brasileiro. Na logística, Perk avaliou que os riscos seguem elevados tanto no Brasil quanto no exterior. Ele mencionou preocupações relacionadas ao Estreito de Ormuz e ao Porto de Santos. “Uma greve ou alguma situação que bloqueie a entrada de contêineres ao Porto de Santos pode ser um problema e pode agravar a questão do preço”, afirmou.

Sobre os impactos da guerra envolvendo o Irã, o executivo estimou alta média de cerca de 30% nos custos ligados a frete marítimo, energia e petróleo. “Esse custo pode ser um fator de sustentação do preço”, disse.

Contato: leandro.silveira@estadao.com

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