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O desempenho das moedas emergentes teve valorização de quase 3%, em fevereiro, pelo índice MSCI Emerging Marketg Currency
7 de abril de 2026
Por Laís Adriana
As moedas de economias emergentes (EM) começaram o ano em um ritmo de valorização elevado em comparação ao dólar americano. O movimento acompanhou o fluxo de entrada em investimentos estrangeiros, perspectivas de diferencial de juros e ganhos de commodities metálicas nos primeiros dois meses de 2026. Contudo, analistas consultados pela Broadcast apontam que a guerra no Oriente Médio não apenas pesou no desempenho das divisas emergentes, como também deixou nubladas as perspectivas para o restante do ano.
O índice MSCI Emerging Markets Currency, responsável por medir o desempenho de moedas emergentes, teve valorização de quase 3% quando atingiu seu pico neste ano, em 26 de fevereiro. Entre as moedas de melhor desempenho até o fim daquele mês, o real brasileiro e o peso chileno se destacaram com altas fortes. De acordo com o Instituto de Finanças Internacionais (IIF), as economias emergentes tiveram entrada líquida de capitais de US$ 21,7 bilhões em fevereiro, normalizando o fluxo de investimentos após a estrondosa entrada de US$ 100,5 bilhões em janeiro.
Mas, desde o início da guerra em 28 de fevereiro, o índice MSCI entrou em trajetória de queda e zerou os ganhos obtidos no ano até o momento, acumulando agora queda de 0,9%, segundo a CNBC.
O consenso entre analistas é de que o movimento reflete majoritariamente o impacto dos preços do petróleo sobre economias emergentes classificadas como importadoras líquidas – importam mais energia, do que exportam. O Citi destaca que pesa também o risco de estagflação, a depender das reações dos BCs em escala global. “Nesse cenário, quase todos os ativos de risco – incluindo metais preciosos e taxas de juros reais – teriam retornos negativos, e o dólar se fortaleceria”, nota.
Em análise, o Bank of America (BofA) nota que o efeito do choque de energia ainda está mais concentrado sobre os rendimentos de papéis de emergentes do que sobre as moedas, com aumento mais pronunciado nos prêmios de risco para os títulos. Ainda assim, o banco americano avalia que algumas divisas acumularam prêmio de risco maior, como o rand sul-africano e o real brasileiro, enquanto outras, como o won sul-coreano e a rupia indiana, parecem ainda não precificar completamente o cenário de risco global.
Amortecedor de Crise
Para o BofA, a grande “lição” até o momento é que os mercados de câmbio da América Latina podem ainda oferecer oportunidades de investimento, considerando sua menor dependência de importações de petróleo. “A divergência no câmbio de mercados emergentes provavelmente se sustentará em meio ao choque de energia. Gostamos de posições compradas em BRL/MXN e vemos riscos de baixa para as moedas asiáticas”, apontou.
Na Ásia, governos locais começaram a anunciar medidas para amortecer o impacto da crise energética. Na Coreia do Sul, foram impostas restrições ao uso de combustíveis fósseis para tentar segurar os estoques. Na China, autoridades anunciaram medidas para segurar os preços de energia, assim como demonstraram disposição em implementar políticas fiscais pró-ativas para lidar com a crise. No Japão, foram liberadas reservas de petróleo no mercado e, segundo a mídia, o governo prepara um fundo de até US$ 5 bilhões em medidas fiscais para mitigar o impacto aos consumidores. Na última semana, o Banco de Desenvolvimento Asiático (ADB, em inglês) se comprometeu a afrouxar regras de empréstimo para compra de combustíveis e a distribuir um pacote de financiamento para as economias mais afetadas.
O ANZ – banco da Austrália e Nova Zelândia – observa que, para compensar esses gastos com subsídios, os governos asiáticos terão que cortar investimentos em projetos de desenvolvimento, o que pesará sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no futuro. Já o Commerzbank alerta que tentativas de interferência fiscal para aliviar o impacto da crise energética pode ser mais prejudicial para as moedas emergentes, considerando a fragilidade de finanças públicas e déficits elevados ao redor do globo. Na visão do banco alemão, o real brasileiro e o rand sul-africano seriam particularmente vulneráveis a essas medidas.
A China, por sua vez, lida com um cenário complexo: o choque de energia poderia encerrar um longo período de deflação, mas a natureza externa, e não de recuperação da demanda interna, seria prejudicial aos lucros da indústria. E, conforme o Commerzbank, é improvável que o Banco do Povo da China (PBoC, em inglês) altere os juros de maneira favorável à valorização do yuan. A moeda chinesa vinha se valorizando desde o início do ano e chegou a renovar maiores níveis contra o dólar desde 2023 – e, embora também tenha caído desde o início da guerra, continua próxima a essas máximas.
Na América Latina, o BofA vê resiliência das divisas, destacando o desempenho do peso argentino, real brasileiro e peso colombiano contra o dólar – que acumulam ganhos respectivos de 5,4%, 4,7% e 2,6% no ano. A Convera também destaca o real brasileiro, notando o status do Brasil como exportador líquido de energia e bom posicionamento para aproveitar fluxos de investimento após o fim da guerra no Oriente Médio, ainda que o BC do Brasil continue sua estratégia de cortes graduais nos juros. “Contudo, as eleições no fim do ano são um ponto de atenção que pode trazer volatilidade”, alerta.
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