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Estratégia são as já usadas no mercado doméstico, com oferta mais ampla de produtos e serviços locais
6 de abril de 2026
Por Aline Bronzatti, correspondente em Nova York
Bancos brasileiros fazem uma ofensiva para alavancar seus negócios nos Estados Unidos, num momento em que a concorrência cresce com a investida de neobancos no mercado americano. Além de ampliar a presença física, com novos pedidos de licença a reguladores locais, miram brasileiros endinheirados, com potencial de expandir esse relacionamento além das fronteiras, e também a elite da América Latina, ainda pouco explorada e com presença relevante no país.
Mais do que se digladiar entre si, como ocorre no Brasil, os bancos replicam nos Estados Unidos estratégias já usadas no mercado doméstico para internacionalizar o relacionamento com os clientes. Para atraí-los, investem numa oferta mais ampla de produtos e serviços locais – além dos investimentos offshore – e em atendimento integrado que, de quebra, ajuda a fortalecer o vínculo dentro e fora de casa.
Em sua nova fase de expansão, o Bradesco Bank, antigo BAC Florida Bank, aposta no Principal, segmento de alta renda do banco voltado a pessoas com renda mensal acima de R$ 25 mil e investimentos entre R$ 300 mil e R$ 10 milhões. A base alcançou 320 mil usuários no ano passado e a meta para 2026 é elevar esse contingente para 800 mil – ou 1 milhão, como dizem nos bastidores.
“Temos um mega projeto de integração com o Brasil. O Principal é nossa grande aposta”, diz o novo presidente do Bradesco Bank, Carlos Leibowicz, em entrevista exclusiva à Broadcast, a primeira desde que assumiu o comando do banco, em novembro do ano passado.
De acordo com o executivo, entre 30% e 50% dos clientes Private já demandam algum tipo de exposição no exterior. No Principal, a expectativa é de que uma parcela “razoável” queira abrir conta no Bradesco Bank. “Estamos falando de dezenas de milhares de famílias”, afirma Leibowicz.
O BB Americas também quer explorar melhor a base do Banco do Brasil, com mais de 80 milhões de clientes. Desde que comprou o então EuroBank, em 2012, para expandir sua presença internacional e atender melhor os clientes brasileiros que vivem ou fazem negócios nos EUA, o banco nunca trabalhou essa via de forma tão proativa.
“O potencial de clientes do BB com perfil de ter uma conta nos Estados Unidos é enorme”, diz o presidente do BB Americas, Mario Fujii, em entrevista exclusiva à Broadcast, a primeira desde que assumiu a posição, em agosto do ano passado.
De acordo com o executivo, o banco tem feito um esforço de integração dos serviços oferecidos no seu aplicativo nos EUA e no Brasil. Além disso, o BB quer resgatar clientes que migraram para a concorrência. “Temos muitos clientes que saíram do banco porque não tínhamos esta opção, mas hoje estamos prontos”, diz o vice-presidente de negócios de atacado do BB, Francisco Lassalvia, em entrevista à Broadcast.
Além da Brickell
Enquanto uns bancos instalam catapultas de negócios no Brasil com o alvo apontado para os EUA, outros avançam localmente e para clientes da América Latina. Em sua terceira fase de expansão externa, o Inter, listado na Nasdaq, acaba de desembarcar na Argentina e mira países como Colômbia, México e Chile. A estratégia nesses mercados é a mesma: servir de ponte para o acesso ao mercado americano.
“A América Latina é um prato cheio”, afirma o CEO global do Inter, João Vitor Menin, em entrevista exclusiva à Broadcast, do escritório em Miami, na Flórida.
Em paralelo, o Inter segue reforçando sua operação nos EUA. O banco de Minas Gerais recebeu em janeiro aval do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, e do regulador da Flórida, o Office of Financial Regulation (OFR), para abrir uma agência em Miami. A licença permite captar recursos por meio de depósitos em dólar e oferecer crédito e contas no país, ampliando sua atuação como banco físico nos EUA.
O Itaú Unibanco também avança na direção de ser um competidor mais local no mercado americano. A instituição solicitou em março aval do Escritório do Controlador da Moeda (OCC), ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA, para operar como um ‘banco nacional’. A licença o permitirá abrir agências em qualquer canto do país e ofertar produtos como cartão de crédito, financiamento imobiliário e outras linhas de crédito.
Além disso, o posicionará ao lado de mais de mil bancos que têm autorização de ‘national bank’ nos EUA e são regulados pelo OCC. Bradesco e Banco do Brasil, por exemplo, têm uma atuação mais focada na Flórida. Ambos até podem atuar em outros estados americanos, mas com restrições.
Até então, o foco do Itaú nos EUA era atender os clientes do Private com investimentos offshore. Nesta frente, o banco quer expandir sua operação na América Latina a partir de Miami em países como Chile, Colômbia, Paraguai, Uruguai e Argentina. “Temos a ambição de ser muito relevantes nesses países”, afirma o diretor do Itaú Private Internacional, Percy Moreira, em entrevista recente à Broadcast.
Outro rival brasileiro que solicitou licença ao OCC foi o Nubank. A fintech, que também busca aval do Banco Central (BC) para se tornar um banco no Brasil, quer atender melhor sua clientela nos EUA e se consolidar como plataforma global. O BTG Pactual, por sua vez, concluiu em janeiro último a compra do americano M.Y. Safra Bank. A aquisição serve de passaporte para o banco de investimentos passar a operar com uma licença bancário nos EUA.
Apesar do reforço dos bancos brasileiros nos EUA, o presidente do BB Americas diz que o aumento da rivalidade no país é bem diferente do movimento de ‘rouba-monte’ visto em determinados segmentos no Brasil. “Tem espaço para todo mundo crescer”, conclui Fujii.
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