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12 de novembro de 2025
Por Gabriela da Cunha
Rio, 12/11/2025 – No cargo de CEO da Ocyan há pouco mais de sete meses, Rodrigo Lemos comemora o cumprimento de metas de curto prazo: ganho de eficiência, ampliação do mix de receitas e sinergias. Com R$ 15 milhões de investimentos destravados entre o fim de 2025 e ao longo de 2026 para a área de Manutenção e Serviços Offshore (MSO), o berço da companhia permanece estratégico, mas há oportunidades além a serem capturadas, diz o executivo.
Em abril, a Ocyan substituiu Luiz Reis por Rodrigo Lemos, na época vice-presidente executivo de Subsea e Produção Offshore. A mudança se deu após reestruturações significativas. O spin-off da perfuração, criando a Foresea, e a transição para um novo controlador em 2024, após a saída da Novonor, o que demandou ajustes na empresa. “Readequamos a estrutura, principalmente a área corporativa, ao novo porte”, explica em entrevista à Broadcast.
Lemos aponta, ao menos, três áreas de oportunidade para a prestadora de serviços para o setor de petróleo e gás natural: investimentos contínuo em campos do pré-sal, manutenção dos campos maduros e adaptação à nova malha de gás. Elevar a produtividade da área de MSO ,criada há 25 anos para serviços de recuperação de instalações, era um dos objetivos imediatos do gestor. “Existe demanda e nem todas as empresas estão preparadas. Em Macaé (RJ), estamos produzindo manifolds e treinando pessoal”, avalia Lemos, que ali iniciou a carreira, tal como o pai, técnico na mesma instalação.
O setor concentra a maior parte (70%) dos 2.900 funcionários. A empresa tem em seu histórico a fabricação e montagem de 12 mil toneladas montadas a bordo.
Outro objetivo era reduzir a dependência de contratos com a Petrobras. Após um 2024 em que a empresa encerrou acordos complexos, inclusive com a estatal, a MSO obteve novos contratos com Valaris e Seadrill. A Ocyan também firmou consórcios com a Mota-Engil e com a Altera, além de fechar um aditivo no contrato com a SBM Offshore.
“A MSO é um desafio, com margens limitadas e intensiva em mão de obra. Os novos contratos são cruciais para diversificarmos as receitas”, diz Lemos.
Ele comenta que a governança da empresa combina uma visão de longo prazo com crescimento disciplinado. “Não adianta crescer sem entregar os resultados acordados com os acionistas. Somos bastante cautelosos”, afirma.
Dentro desse conceito, na produção offshore, a transição do FPSO Cidade de Itajaí, localizado no campo de Baúna na bacia de Santos e adquirido pela Karoon, tem sido satisfatória. O desafio de manter as equipes alinhadas se soma à necessidade da manutenção da operação no campo de Papa-Terra na bacia de Campos, além da eficiência do FPSO Pioneiro de Libra, maior ativo e fonte de receita e com contrato é válido até 2029.
Já no setor Subsea, o foco foi alcançar os marcos da revitalização da malha de gás da bacia de Campos, via o consórcio Ocyan & Mota-Engil, e preparar a instalação dos equipamentos offshore, prevista para 2026. Esta é uma etapa crítica do projeto. Lemos destaca o progresso na segurança operacional. “Nossos números este ano estão muito melhores, mas é um esforço contínuo”.
Governança
Lemos assume a liderança da companhia 10 anos após a Operação Lava Jato, voltada ao combate à corrupção no setor. Mesmo sem envolvimento direto, a antiga Odebrecht Óleo e Gás também sofreu os efeitos. Um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou que entre 2014 a 2017 o segmento de extração de petróleo e gás, incluindo os setores de apoio, perderam R$ 29,2 bilhões em receitas.
O episódio impulsionou questões de conformidade, observa Lemos. “Espero que esses controles persistam. Para nós, é a única forma de operar”, afirma.
Em 2023, o fundo EIG e a Lake Capital adquiriram 100% da Ocyan da Novonor. “O negócio confirma que nossa tese de serviços em óleo e gás era sólida. Fora da Novonor, nosso acesso a financiamento melhorou”, analisa.
Futuro
A Ocyan aposta no descomissionamento submarino, projetando demanda das petroleiras independentes, além da expectativa de a Petrobras ter ao menos dois projetos de EPRD (Engenharia, Preparação, Remoção e Disposição) por ano.
Na inovação, o uso de hidrogênio em motores de navios, com ganhos de eficiência e redução de emissões, avança para a segunda fase em parceria com Protium Dynamics e Shell, o projeto viabilizado pela cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), já despertou o interesse da Petrobras e possui um Memorando de Entendimento (MoU) com a Sidrill para testes, segundo Lemos.
Paralelamente, avança o projeto ROBIN, robô de intervenção leve em poços, em parceria com o Senai Cimatec. A segunda etapa terá 20 meses de duração e envolve R$ 22 milhões de investimentos da Petrobras. “Estes projetos, junto à Nexio, nossa plataforma de soluções integradas que completou um ano, reforçam a busca por maior eficiência e inovação no setor”.
contato: gabriela.cunha@estadao.com
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