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Intenção de Donald Trump de impor um teto de 10% nas taxas cobradas no cartão de crédito acendeu o alerta
15 de janeiro de 2026
Por Aline Bronzati, correspondente em Nova York
Banqueiros de Wall Street estão otimistas sobre a economia dos Estados Unidos, que deve crescer ainda mais em 2026. Mas é só. Passado o primeiro ano da gestão de Donald Trump, a nata financeira americana evita embates públicos com o chefe da Casa Branca, mas não esconde a insatisfação com medidas que atingem diretamente o dia a dia do setor. Em defesa, alegam que a tal da ‘affordability’, ou acessibilidade, no bom português, ao contrário, pode restringir mais do que facilitar a vida dos americanos quando o assunto é dinheiro.
“Estamos sempre interessados em colaborar com o governo para implementar soluções mais eficazes que promovam a expansão do crédito a preços acessíveis para aqueles que mais precisam”, disse a presidente do Citi, Jane Fraser, a analistas e investidores, nesta quarta-feira. “Mas um limite de taxa não é algo que possamos apoiar”, emendou a banqueira.
Fraser se referia à intenção de Trump de impor um teto de 10% nas taxas cobradas no cartão de crédito. O alerta foi reforçado por outros colegas de Wall Street durante a divulgação de resultados do quarto trimestre. Segundo os banqueiros, medidas como a proposta pelo chefe da Casa Branca não têm o objetivo esperado, mas podem acabar causando mudanças drásticas, com menos americanos tendo cartão de crédito e saldo disponível para suas compras.
“Se você reduzir os limites, vai restringir o crédito, o que significa que menos pessoas obterão cartões de crédito e o saldo disponível também será restrito e seguro”, disse o presidente do Bank of America (BofA), Brian Moynihan. O banqueiro defendeu que o debate fosse balanceado com o objetivo de aumentar a acessibilidade de custos de vida aos consumidores americanos. “Somos favoráveis à acessibilidade”, disse, ponderando que colocar teto nas taxas pode gerar “respostas não intencionais”.
O diretor financeiro do JPMorgan Chase, Jeremy Barnum, afirmou que o banco vai preparar um plano de contingência relevante, mas evitou fazer especulações a respeito. Segundo ele, caso seja imposto um teto nas taxas que os bancos podem cobrar no cartão de crédito, esse limite vai pressionar as margens dos bancos e eventuais benefícios aos consumidores não serão repassados, uma vez que a competição no segmento já está em “patamares ideais”.
Mudança Drástica
“O que realmente vai acontecer é que a oferta do serviço mudará drasticamente… As pessoas perderão acesso ao crédito, de maneira muito extensa e ampla, especialmente as que mais precisam”, alertou Barnum, admitindo que “seria ruim” para o banco.
Para Fraser, do Citi, o impacto para os consumidores americanos será maior do que para Wall Street. “O impacto para nós e outros bancos seria ofuscado pelo impacto severo no acesso ao crédito e nos gastos do consumidor em todo o país”, reforçou a banqueira.
Outro tema que também desagrada às quadras financeiras mais importantes do mundo são as constantes ameaças de Trump à independência e autonomia do Federal Reserve (Fed). A mais recente foi a abertura de uma investigação criminal contra o presidente da instituição, Jerome Powell.
O presidente do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, afirmou que qualquer ameaça à independência do Fed “não é uma boa ideia”. “Todos os que conhecemos acreditam na independência do Fed”, disse ele, ao comentar os resultados do banco no quarto trimestre de 2025, em conversa com a imprensa. “Qualquer coisa que ameace isso provavelmente não é uma boa ideia. E, na minha opinião, terá consequências opostas. Isso aumentará as expectativas de inflação e provavelmente elevará as taxas de juros ao longo do tempo”, alertou.
A fala do banqueiro, de 69 anos, conhecido por suas previsões catastróficas, foi criticada por Trump. O republicano disse que Dimon estava errado. “Eu acho que está tudo bem o que estou fazendo. Temos uma pessoa ruim no Fed”, afirmou Trump, a repórteres, nesta terça-feira. Em outra fala, disse que quer “alguém no Fed que reduza os juros quando o mercado estiver caminhando bem”.
Da parte da Casa Branca, nenhuma novidade até aqui. Logo após ser empossado, há cerca de um ano, Trump aproveitou a presença de banqueiros do mundo todo no Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) para cobrar os pesos pesados de Wall Street, mesmo não estando lá fisicamente. “Espero que vocês abram seus bancos para os conservadores, porque o que vocês estão fazendo é errado”, disse Trump, por meio de vídeo, direcionando a fala aos presidentes do BofA e do JPMorgan.
Já os banqueiros americanos demonstravam mais otimismo com as medidas de Trump no início do seu segundo mandato. Há exatamente um ano, os executivos aproveitavam a temporada de balanços para exacerbar a melhora da confiança do empresariado após as eleições nos EUA e as expectativas de ventos favoráveis para 2025.
Desta vez, os banqueiros de Wall Street limitaram-se a focar mais na economia, lembrando que os riscos permanecem. “Ainda existem riscos. Sempre existem, mas estamos otimistas e temos uma visão construtiva para o ano que se inicia”, afirmou Moynihan, do BofA. Em comentário sobre o balanço, o executivo disse que estava “otimista” com a economia dos EUA em 2026.
Já o presidente do Wells Fargo, Charles Scharf, classificou a economia americana e seus consumidores como “resilientes”. No entanto, disse que o banco monitora “de perto” seus portfólios de crédito, em busca de sinais de fraqueza.
“Como de costume, permanecemos vigilantes, e os mercados parecem subestimar os potenciais perigos – incluindo condições geopolíticas complexas, o risco de inflação persistente e preços de ativos elevados”, reforçou Dimon, do JPMorgan.
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