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Oposição promete ir ao TSE contra Lula com base em samba-enredo na Sapucaí

Primeira-dama, Janja da Silva, afirma que desistiu de desfilar pela Acadêmicos de Niterói por temer perseguição

16 de fevereiro de 2026

Por Naomi Matsui, Bruna Camargo e Paula Ferreira, do Estadão

O Partido Novo e o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prometeram ingressar com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e candidato à reeleição com base no samba-enredo da escola Acadêmicos de Niterói que o homenageou em desfile na noite de domingo, 15, na Sapucaí (RJ).

“Nossa ação contra os crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE! Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a FAMÍLIA!”, escreveu Flávio, em publicação na rede social X. Na noite deste domingo, o senador já havia dito que “Lula esfola o povo com aumento de impostos e usa esse mesmo dinheiro arrecadado para fazer campanha antecipada para ele mesmo.”

Já a ação do Partido Novo que pedirá a inelegibilidade do presidente Lula só será protocolada no TSE após o registro oficial da candidatura do petista. Pelo calendário eleitoral, Lula tem até 15 de agosto para registrar sua candidatura.

O partido anunciou que entrará com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) sob o argumento de que o tema do desfile da Acadêmicos de Niterói configurou abuso de poder político e econômico por usar recursos públicos para promover a imagem de Lula em contexto pré-eleitoral.

“Não estamos diante de um debate político, mas de um fato jurídico. Houve propaganda eleitoral antecipada financiada com dinheiro público. A consequência prevista na lei é clara e rigorosa”, disse o presidente do partido, Eduardo Ribeiro.

Na terça-feira, 10, a sigla já havia protocolado representação no TSE alegando que Lula e o PT promoveriam propaganda eleitoral antecipada no Carnaval de 2026. Na peça, o Novo solicitou aplicação de R$ 9,6 milhões em multa e a concessão de tutela de urgência para impedir o samba-enredo no desfile de 2026. A representação ainda não foi analisada.

Dois dias depois, na quinta-feira, 12, o Novo protocolou representação no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a apuração por desvio de finalidade e uso indevido da estrutura da Presidência da República na organização do carro alegórico da escola Acadêmicos de Niterói.

Janja não foi

A primeira-dama, Janja da Silva, afirmou que desistiu de desfilar pela Acadêmicos de Niterói por temer perseguição à escola e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em nota, a primeira-dama destacou que “mesmo com toda segurança jurídica” de que poderia participar do desfile, optou por não fazê-lo “para estar ao lado da pessoa que ela mais ama na vida.”

O enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” , em homenagem ao presidente, foi apresentado na avenida na madrugada desta segunda-feira, 16, no desfile grupo Especial das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Janja havia sido liberada para desfilar por não ocupar um cargo público, mas optou por apenas assistir ao desfile ao lado do marido. O enredo da Acadêmicos de Niterói foi alvo de diversos questionamentos na Justiça que pediam que a escola fosse impedida de fazer o desfile sob alegação de propaganda eleitoral antecipada em ano eleitoral. Janja foi substituída no carro pela cantora Fafá de Belém.

O presidente e a primeira-dama acompanharam o desfile no camarote da prefeitura do Rio, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), e desceram na Sapucaí para cumprimentar integrantes das escolas. Lula beijou o pavilhão de todas as escolas que passaram pela Sapucaí no domingo: Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira.

O desfile em ano eleitoral tem sido tema de polêmicas há semanas. O enredo da agremiação foi criticado pela oposição e o Partido Novo anunciou que acionará a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade do presidente.

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