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Tarifaço americano fez com que industriais brasileiros assumissem o papel de caixeiros-viajantes em busca de compradores no mundo
14 de fevereiro de 2026
Por Eduardo Laguna
O tarifaço americano fez com que industriais brasileiros assumissem o papel de caixeiros-viajantes, em busca de compradores para os produtos que deixaram de ser vendidos aos Estados Unidos. Diversificar passou a ser a ordem do dia para os exportadores que passaram a pagar tarifas de até 50% no mercado que mais consome seus produtos no exterior. Participar de feiras e missões internacionais, assim como visitar potenciais clientes em todos os cantos do mundo, virou rotina.
A indústria de móveis, que tem nos Estados Unidos o destino de 20% das exportações, tem buscado entrar em mercados do Oriente Médio, Índia, Coreia do Sul, América Central e Canadá, além dos vizinhos na América do Sul. Mais de 130 exportadores de móveis têm acesso a informações de inteligência comercial, feiras e missões internacionais dentro do projeto Brazilian Furniture, uma iniciativa que tem o apoio da Apex, a agência que promove produtos brasileiros no exterior.
“São vários mercados que estão sendo olhados”, diz Cândida Maria Cervieri, diretora-executiva da Abimóvel, entidade que representa a indústria moveleira. Em conversa por telefone com a Broadcast enquanto participava de uma feira de móveis em Colônia, na Alemanha, ela contou que o Brasil será o país com maior área de estandes no Salão do Móvel de Milão. Trata-se do principal evento internacional do setor de móveis e design do mundo, marcado para 21 a 26 de abril na cidade italiana.
Segundo Cervieri, além da prospecção de mercados alternativos, um grupo de fabricantes de móveis planeja ir à China até o fim deste ano. Mas a ideia não é entrar no mercado chinês, mas sim estudar os produtos do maior concorrente dos móveis brasileiros.
Exceção a armários de cozinha (25%) e estofados com estrutura interna de madeira (30%), como sofás e poltronas, todos outros móveis pagam 50% em tarifas nos Estados Unidos.
Essa alíquota máxima também é imposta desde agosto aos calçados brasileiros, que, assim como o setor de móveis, têm nos Estados Unidos o principal mercado no exterior. Embarques a outros destinos, como Espanha, Paraguai, e Equador, ajudaram a amortecer o impacto do tarifaço, porém a um preço médio inferior aos dos produtos vendidos ao mercado americano.
Presidente-executivo da Abicalçados, a associação das indústrias de calçados, Haroldo Ferreira diz que as exportações para os Estados Unidos, que vinham crescendo 15% até o momento do tarifaço, terminaram 2025 acumulando queda de 1% em volume, para 10,2 milhões de pares.
“Houve um rearranjo de exportação a outros mercados, com preços dos produtos muito mais baixos”, comenta Ferreira. Segundo o presidente-executivo da Abicalçados, grande parte das vendas aos Estados Unidos é de produtos “private label” – ou seja, são fornecidos com a marca, design e materiais encomendados pelo importador, de modo que se trata de um produto que só pode ser vendido aos EUA.
No entanto, calçados de marcas brasileiras – por exemplo, os chinelos Havaianas – podem ser vendidos a qualquer outro país. Nesses casos, o setor tenta ampliar a presença internacional por meio de ações de promoção comercial, como feiras e rodadas de negócios no exterior, também apoiadas pela Apex e que no ano passado renderam mais de R$ 600 milhões em vendas para fora do Brasil.
“Esse é um esforço que foi potencializado agora, não apenas no exterior, mas também em feiras realizadas em São Paulo, onde tentamos atrair cada vez mais compradores de outros países para conhecer o produto brasileiro”, afirma Ferreira.
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