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‘Este ano será de grande mudanças para as empresas no País’

Para presidente da Abrasca, tributação de dividendos deve alterar composição de capital próprio para de terceiros

11 de fevereiro de 2026

Mariana Ribas

O presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), Pablo Cesário, afirma que 2026 será um ano de grande mudança para as empresas no País. Para ele, a nova tributação de dividendos, em vigor neste ano, deve, ao longo do tempo, levar as empresas a trocar capital próprio por capital de terceiros.

Em meio a novas regras tributárias, Corsário avalia, também, que a expectativa é que com a inflação abaixo do teto da meta e a tendência de redução gradual da taxa básica de juros devem incentivar a retomada da atividade econômica. Confira os principais trechos da entrevista:

Quais os efeitos da tributação de dividendos em vigor este ano, depois de 30 anos de isenção?
Pablo Cesário:
A tributação de renda tem um efeito de curto prazo, mas ela tem um efeito estrutural também. É razoável imaginar que a tributação de dividendos deve mudar a composição ao longo do tempo, de capital próprio para capital de terceiros. Essa composição do capital deve se alterar ao longo do tempo e as empresas brasileiras têm historicamente uma participação de capital próprio muito grande.

Isso significa, então, que as empresas vão se endividar?
Cesário:
Quando você aumenta o custo [do sócio] via novas tributações de dividendos, você também aumenta possivelmente a atratividade de endividamento das companhias. Então, é razoável imaginar que ao longo do tempo nós vamos ter uma alteração na composição de financiamento das companhias, tendendo a aumentar. Ao invés das empresas fazerem um IPO [Oferta Pública Inicial], elas vão pegar mais empréstimo, ou elas vão emitir mais debêntures, por exemplo. Então, é um ano que para as companhias será de grande mudança.

Outro tema que está quente é a Reforma Tributária, o que falta ser resolvido em 2026?
Cesário:
Estamos com um grupo de trabalhos só dedicado a isso. Vamos nos juntar a outras instituições e haverá um grupo de trabalho no Congresso Nacional também para acompanhar o passo a passo. Tem dois projetos de lei que continuam super importantes. Um deles é o Imposto Seletivo. Esta regra é importantíssima, especialmente para os setores que vão ser afetados.

Mas tem um outro que afeta todo mundo, que são as regras de incentivos fiscais. Este é um projeto de lei que precisa ser enfrentado, em uma discussão que provavelmente tem que começar este ano e pode até terminar este ano, com efeitos estruturais. Uma boa parte da distribuição da cadeia produtiva brasileira acabou sendo dificilmente alterada por conta desses incentivos [regionais], que vão perdendo potência até 2032. As empresas estão, neste momento, fazendo contas de como fica o preço delas, porque as estratégias de precificação mudam intensamente com essa convergência de alíquotas. Elas também estão revendo onde elas vivem [uma vez que a reforma acaba com os incentivos regionais de ICMS e reduz esse impacto através de um fundo de compensação].

Qual a expectativa para 2026 em diante?
Cesário:
Acho que a expectativa agora é que, com a inflação voltando ao teto da meta, a gente vai ter um momento de grandes movimentos. Taxa de juros é um desses grandes movimentos, que devem incentivar a retomada da atividade econômica real, de investimentos também. Isso é um ciclo de longo prazo, que deve levar uns dois ou três anos para sentirmos o efeito. As duas incógnitas disso é quanto tempo dura e até quando essa taxa vai cair.

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