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Hoje o Brent operava acima de US$ 90 o barril, mais que o intervalo de US$ 60 a US$ 70 que o mercado projetava antes do conflito
11 de março de 2026
Por Daniel Tozzi, Gabriela Jucá e Letícia Correia
A escalada recente no preço internacional do petróleo, em meio à tensão no Oriente Médio, tende a aumentar os preços da gasolina e do diesel no Brasil e, consequentemente, levar a uma inflação mais alta do que a inicialmente projetada neste ano, avaliam economistas consultados pela Broadcast.
O impacto concreto, porém, ainda é incerto e depende não só dos próximos capítulos do conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos (EUA), mas também da estratégia de preços adotada pela Petrobras, que desde 2023 abandonou a política de paridade internacional e tem mais margem para definir os reajustes. No cenário mais pessimista traçado por analistas, a inflação acumulada em 12 meses poderia romper o teto da meta, de 4,5%, e encerrar o ano mais próxima de 5%.
Por tabela, a tensão no Irã também pode impactar a condução da política monetária, já que a elevada incerteza geopolítica e na dinâmica da inflação corrente tende a exigir mais cautela por parte do Banco Central. Ainda assim, o mercado vê como praticamente certa a redução na Selic na semana que vem. A divisão ocorre quanto ao ritmo de corte, entre 0,50 e 0,25 ponto porcentual, e sobre os próximos passos da autoridade monetária.
Após a eclosão do conflito no Irã, o barril de petróleo Brent, referência internacional para o preço da commodity, disparou e encerrou a última semana cotado acima de US$ 90. A tensão crescente levou os preços a romper a marca de US$ 100 e atingir um pico próximo de US$ 120 no domingo, no auge das preocupações com a segurança da produção e do transporte de petróleo na região.
O mercado, porém, passou a reduzir parte do prêmio de risco embutido nas cotações em meio às declarações do presidente americano Donald Trump de que o conflito estaria perto do fim. Hoje, o Brent operava perto de US$ 90 o barril, ainda bem acima do intervalo de US$ 60 a US$ 70 que o mercado projetava para 2026 antes do conflito.
Na última sexta-feira, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que é preciso esperar por uma tendência mais clara na cotação do petróleo antes de a estatal anunciar qualquer reajuste, mas que, se a subida de preço internacional for “grande”, haverá necessidade de “respostas mais rápidas”.
Para o economista da XP Investimentos Alexandre Maluf, caso a cotação do petróleo se firme no patamar entre US$ 90 e US$ 100 por barril, a Petrobras tende a fazer mudanças nos preços para as distribuidoras já na próxima semana. Segundo ele, na última segunda-feira, quando a cotação oscilou perto dos US$ 100, o preço doméstico da gasolina estava cerca de 40% menor em relação ao preço internacional, enquanto, no diesel, o preço doméstico era 30% mais barato.
“Com a melhora recente, o gap deve ter caído. Mesmo assim, existe a necessidade de subir os preços domésticos para garantir a paridade com o mercado internacional”, diz ele. Nos cálculos de Maluf, cada 10% de reajuste por parte da Petrobras nos preços dos combustíveis significa uma pressão adicional de 0,12 ponto porcentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano. Por ora, a corretora mantém projeção de inflação de 3,8% ao final de 2026, mas, segundo Maluf, a depender da quantidade de repasse da Petrobras, um barril de petróleo a US$ 100 poderia fazer a inflação doméstica encostar em 5%.
“Mas o cenário segue bastante incerto. Trump já anunciou que os seus objetivos estão bem adiantados quanto à guerra do Irã, de modo que ela pode se encerrar antes do esperado. Se isso acontecer, podemos ver os mercados se normalizando aos poucos”, diz Maluf.
A avaliação é, em boa medida, corroborada pelo economista e sócio da Logos Capital, Fabio Romão. Em um cenário em que o Brent se firmasse perto dos US$ 100 por barril e em que a Petrobras repassasse inteiramente essa alta para o consumidor doméstico, a projeção da Logos para o IPCA de 2026 sairia dos atuais 4,20% para 4,97%.
Esse avanço relevante na projeção, porém, não parece ser o cenário mais provável, segundo ele, que lembra do cenário americano antes da eleição de Trump. “Havia uma pressão para os EUA não gastar valores altos com guerras, uma vez que isso pesou no bolso do consumidor”, observa. “Trump não quer que o conflito no Irã dure muito, talvez por isso o tamanho da agressividade e ação conjunta com Israel”, acrescenta.
Para além desse fator, a economia global está em um processo de soft landing, o que mitiga a evolução das cotações de diversas commodities, acrescenta.
Em âmbito doméstico, ainda que a taxa Selic esteja prestes a entrar no ciclo de flexibilização monetária, o nível deve permanecer elevado e tirar alguma força de reajustes na gasolina neste ano, pondera Romão. “Se a situação para a inflação piorar esse ano, compromete 2027. Mas isso não é o mais provável”.
Na Warren Investimentos, a estrategista de inflação, Andréa Ângelo, projeta hoje um IPCA de 4,3% ao final do ano. O cenário, porém, leva em conta o preço de referência do Brent de antes do conflito no Oriente Médio, na casa de US$ 60 por barril. “Nesta semana devemos incorporar a alta do combustível no Brasil compatível com um barril a US$ 80, o que deve significar uma alta em torno de 0,25 ponto à projeção”, avalia ela – ou seja, uma inflação encostada no teto da meta, de 4,5%.
Essa revisão, contudo, engloba apenas o efeito direto da gasolina e do diesel mais caros, sem levar em conta efeitos secundários, como, por exemplo, no preço dos fretes, segundo ela.
João Fernandes, economista da Quantitas, vai na mesma linha. Ele tinha uma projeção de 4,1% antes da eclosão do conflito no Oriente Médio e calcula que, a cada 10% de reajuste no preço do combustível feito pela Petrobras, há pressão adicional de 0,17 ponto porcentual no IPCA.
O economista ressalta ser difícil contar com qualquer assimetria para o preço internacional do petróleo neste momento, por conta da alta volatilidade da situação, mas prevê que, até o fim da semana, a projeção da Quantitas para a inflação do ano seja elevada para entre 4,4% e 4,5%.
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