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Contar com ganhos de produtividade da IA e afrouxar a política monetária pode ser prematuro, segundo especialista
10 de março de 2026
Por Isabella Pugliese Vellani
A economia dos EUA vive uma encruzilhada que dificulta as expectativas em relação à trajetória de juros a ser seguida pelo Federal Reserve (Fed), avalia o gerente de pesquisa macroeconômica do Inter, André Valério, em análise à Broadcast. Ele afirma que o nó é atado pela combinação de crescimento acima da tendência, forte valorização dos ativos financeiros e um boom de investimentos em tecnologia, ao mesmo tempo que enfrenta inflação persistente, elevada desigualdade na distribuição dos ganhos e um sentimento do consumidor deteriorado.
Valério menciona que a promessa de ganhos de produtividade via inteligência artificial (IA) tem dado argumentos para os defensores do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, que desejam que o Fed seja mais agressivo no corte de juros, em um movimento similar ao ocorrido com o advento da internet. Porém, para o especialista, os ganhos de produtividade não determinam a inflação no longo prazo.
“Produtividade reflete a capacidade produtiva real da economia e crescimento sustentado da produtividade faz com que a taxa de juros real neutra da economia aumente”, detalha, ao defender que, para impedir que a inflação acelere em meio a um boom de produtividade, os bancos centrais precisam manter a taxa de juros nominal elevada.
Além disso, contar com ganhos de produtividade oriundos da IA, e possivelmente afrouxar a política monetária, pode ser um tanto quanto prematuro, segundo Valério, especialmente em um momento em que a administração americana adota políticas estimulativas com potenciais inflacionários.
Como exemplo, é citado o impulso fiscal positivo devido ao One Big Beautiful Bill, que pode gerar um impulso de 3 pontos porcentuais no Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2026. Paralelamente, a decisão da Suprema Corte de derrubar as tarifas globais de Trump pode dar um impulso na margem para a demanda doméstica, de acordo com sua análise.
Acrescido à questão tecnológica está o mercado de trabalho americano. Para Valério, a forte desaceleração da imigração reduz o dinamismo da força de trabalho e eleva o risco de um mercado de trabalho excessivamente apertado. Ele observa que o fraco relatório de empregos dos EUA (payroll) de fevereiro aponta para um setor que anda de lado, enquanto o risco geopolítico com a guerra entre EUA, Israel e Irã pode pressionar a inflação, cenário que contribui para o Fed se manter dividido nos objetivos de pleno emprego e estabilidade de preços.
“A encruzilhada está entre confiar em promessas tecnológicas ainda não materializadas ou reconhecer que, sem uma expansão da oferta de trabalho, o espaço para crescer de forma não inflacionária permanece limitado, exigindo cautela da política monetária e maior coordenação com outras frentes de política econômica”, diz. Para Valério, o risco central, portanto, é calibrar a política econômica para um futuro potencialmente mais produtivo enquanto o presente segue marcado por restrições reais e pressões inflacionárias concretas.
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