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BRB teria prejuízo com liquidação do Will Bank, diz diretor do BC

Ailton Aquino alertou que perdas do Banco de Brasília com compra de ativos do Master poderia ultrapassar R$ 5 bilhões

30 de janeiro de 2026

Por Cícero Cotrim

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, disse durante depoimento à Polícia Federal (PF), no dia 30 de dezembro, que uma eventual liquidação do Will Bank, do Banco Master, levaria a prejuízos maiores para o Banco de Brasília (BRB). A instituição foi liquidada no último dia 21.

O Will Bank foi poupado da liquidação em novembro, quando o BC decidiu liquidar o Banco Master e diversas empresas do grupo. O Banco Master Múltiplo, controlador do Will Bank, foi colocado em Regime de Administração Especial Temporário (Raet), pela avaliação de que o banco digital ainda poderia ser vendido. A expectativa acabou não se confirmando.

“Existem muitos ativos do Will dentro do balanço do BRB. Com a morte do Will Bank, se não for possível resolver os problemas dentro do Raet, o prejuízo do BRB será maior”, disse Aquino, durante o depoimento.

Aquino explicou que o perfil do público do Will Bank, das classes C e D, foi levado em consideração. A avaliação, na diretoria colegiada, era de que esses clientes simplesmente deixariam de pagar os cartões em caso de liquidação. Também por isso, houve a opção pelo Raet.

O diretor do BC avisou à PF que as perdas do BRB com a compra de ativos do Master poderia ultrapassar R$ 5 bilhões. O banco do DF pagou R$ 12,2 bilhões por carteiras de crédito falsas, mas conseguiu substituir cerca de R$ 10 bilhões por outros ativos do Master. No entanto, esses outros papéis também têm problemas e podem gerar prejuízos.

Sem influência

No depoimento, Aquino também negou ter sofrido qualquer pressão política para liquidar ou não o Banco Master. “Que eu tenha conhecimento como diretor de Fiscalização, eu não conheço, não recebi, nenhuma pressão de liquidar ou não liquidar de autoridades da República, não tenho conhecimento”, disse Aquino, quando indagado sobre uma possível pressão política durante a oitiva.

Os depoimentos prestados no mesmo dia por Aquino, pelo dono do Master, Daniel Vorcaro, e pelo ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa só foram liberados após um mês. O relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, levantou o sigilo após o BC ter pedido acesso ao conteúdo.

O diretor do BC disse que o trabalho de supervisão do caso foi feito normalmente. Ele também negou que a autoridade monetária tenha adotado uma medida prudencial preventiva contra o BRB, proibindo o banco de comprar novas carteiras de crédito, para impedir a compra do Master. A medida é datada de 14 de outubro, enquanto a operação entre BRB e Master foi negada em setembro.

“Eram carteiras dos mesmos originadores que faziam originação para o Master, mas não especificamente originadas por nós”, disse.

Em depoimento à Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que não investigou a fundo os contratos e que fechou negócio “menos pela empresa e mais pela pessoa”. Ele se referia ao empresário Henrique Peretto, dono da Tirreno e também de outra empresa de crédito, a Cartos, com a qual o Master já mantinha relações.

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