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Colegiado enfatiza que compromisso com meta de inflação, de 3%, impõe serenidade no ritmo e magnitude de cortes
28 de janeiro de 2026
Por Marianna Gualter e Cícero Cotrim
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu há pouco manter a taxa Selic em 15,0% ao ano, conforme previam 36 das 37 casas consultadas pelo Projeções Broadcast. A decisão do colegiado foi unânime.
Essa é a quinta reunião consecutiva em que a autarquia mantém o nível da Selic. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, o BC aumentou a taxa em 4,50 pontos, o segundo maior ciclo de alta dos últimos 20 anos, perdendo apenas para a alta de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu após o fim da pandemia.
O colegiado afirmou no comunicado que seguiu a decisão que antevê iniciar a flexibilização da política monetária na próxima reunião, em março, se confirmado o cenário esperado, mas enfatizou que manterá “a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Emendou que o compromisso com a meta de inflação impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude dos cortes. A evolução das reduções dependerá “de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”, segundo o colegiado.
“O comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse o colegiado. “Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros.”
O comunicado que se seguiu há pouco ao término da primeira reunião do Copom em 2026 marca uma inflexão relevante, a despeito de o colegiado ter mantido a Selic em 15% ao ano, avalia o co-head de Investimentos da Arton Advisors, Raphael Vieira. “O Copom passa a sinalizar, de forma explícita, a possibilidade de início do ciclo de flexibilização já na próxima reunião, ainda que sob forte condicionalidade”, diz o especialista.
O Banco Central, de acordo com Vieira, reconhece a desaceleração da atividade e o arrefecimento gradual da inflação, mas segue incomodado com a desancoragem das expectativas e com a resiliência da inflação de serviços, especialmente em um mercado de trabalho ainda apertado.
“O discurso permanece conservador, refletindo tanto incertezas externas, com destaque para a política econômica dos EUA e o cenário geopolítico, quanto riscos domésticos ligados à política fiscal e ao câmbio”, diz.
“Na prática, o Copom tenta equilibrar duas forças: de um lado, há espaço técnico para começar a cortar juros; de outro, falta confiança para acelerar esse movimento sem comprometer a credibilidade do regime de metas”, acrescenta. “O tom do comunicado indica que esse início de processo é mais uma decisão de gestão de risco do que uma convicção plena de que a inflação já está controlada.”
Por fim, de acordo com ele, o recado central é que o ciclo de queda, quando começar, tende a ser gradual, condicionado e altamente dependente dos dados, especialmente da dinâmica de serviços, das expectativas e do comportamento fiscal. Não há espaço para cortes agressivos tampouco para repetir ciclos de afrouxamento prematuros do passado, acrescenta.
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