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Brasil vira celeiro de inovação na indústria de pagamentos

Visa e Mastercard escolheram na América Latina o Brasil para testar primeiro produtos e serviços que só depois vão chegar a outros mercados e regiões

16 de janeiro de 2026

Por Altamiro Silva Junior, Gabriel Baldocchi, Alexandre Rocha e Eduardo Puccioni

O avanço rápido do Pix, que já tem 172 milhões de usuários só em pessoas físicas, e a crescente afeição do brasileiro por transações digitais fizeram o País virar um celeiro para testes das maiores bandeiras de cartões do mundo. A Visa e a Mastercard escolheram na América Latina o Brasil para testar primeiro produtos e serviços que só depois vão chegar a outros mercados e regiões.

Criada no ano passado pela Visa para desenvolver soluções de pagamentos digitais no Brasil, a Visa Conecta virou um exemplo de diversificação do negócio da bandeira no mundo. A atuação inicial da nova área se deu com soluções para o Pix, como biometria e aproximação, mas a previsão é avançar conforme a regulação, em temas como o Pix automático e Pix inteligente, além de iniciativas como stablecoins e até câmbio. “Todo mês há algum parceiro ou cliente ao redor do mundo querendo saber o que estamos fazendo aqui no Brasil. Querem entender o ecossistema, o Pix e o Open Finance, para se antecipar a movimentos que vão acontecer ao redor do mundo”, afirma Leonardo Enrique Silva, diretor executivo da Visa Conecta.

Made in Brazil

Há conversas com países da América Latina para replicar o modelo brasileiro da Visa Conecta, uma empresa independente da subsidiária local. “Onde existe movimentação financeira, a Visa precisa estar lá. Cartão é uma forma, mas não a única”, diz Silva. Duas razões explicam a posição do Brasil: a atuação ativa e inovadora do Banco Central; e a disponibilidade dos brasileiros em abraçar novas funcionalidades.

Na Mastercard, quatro inovações foram primeiro testadas no Brasil, incluindo o Passkey, que elimina senhas e códigos em compras. Em 2026, uma das principais apostas é a transação feita por robôs de inteligência artificial, em que desde a sugestão da compra até o fechamento, a operação é realizada por comandos de voz, é o chamado “Agent Pay”, ou “pagamento agêntico”

Os testes começaram primeiro no Brasil com o Magazine Luiza em novembro de 2025, ainda para um público seleto, por meio da assistente virtual Lu. “O Brasil é um dos nossos principais laboratórios de inovação, dada sua alta digitalização, ecossistema dinâmico de pagamentos e adesão rápida a novas tecnologias”, diz a bandeira.

O ambiente do Pix foi visto como ideal para a Visa testar uma solução antifraude com inteligência artificial. A ferramenta Protect foi testada ao longo do ano passado em parceiros com peso de mais de 20% em transações Pix. O avanço nessa frente foi citado pelo CEO global do grupo, no fim do ano passado, como um exemplo de valor conquistado com modelos baseados em inteligência artificial.

A evolução nessas novas frentes são importantes para empresas consolidadas da área que tentam se posicionar na nova era do setor e ir além do tradicional modelo de cartões. O salto para novas iniciativas de atuação no ecossistema de pagamentos busca perseguir um potencial de receitas de US$ 520 bilhões em oportunidades nos chamados serviços de valor agregado, estima a Visa.

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