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Rombo do Fundo Garantidor de Crédito sobe para R$ 51,8 bilhões frente a um patrimônio de cerca de R$ 160 bilhões
18 de fevereiro de 2026
Por Eduardo Rodrigues, Cícero Cotrim, Marianna Gualter e André Marinho
O Banco Central decretou na manhã desta quarta-feira a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, com extensão do regime especial à Pleno DTVM. Em agosto do ano passado, o próprio BC aprovou a transferência do controle societário do banco Voiter, que fazia parte do conglomerado do Master, para Augusto Lima, passando a operar sob o nome de Banco Pleno.
Segundo a autarquia, o conglomerado do Pleno é de pequeno porte, enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, com 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN). “A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”, informou o Banco Central.
A autoridade monetária reforçou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais, o que pode levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes. Além disso, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada.
O Pleno (à época, Banco Voiter) foi vendido pelo Master para Lima em julho de 2025. Para conceder a autorização de compra, o Banco Central fez uma série de exigências, incluindo aumento do capital e que a instituição não crescesse com base na emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), para limitar sua exposição ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Lima vinha aportando recursos e tentando encontrar fontes de captação para o banco, o que se tornou desafiador sem a emissão de CDBs. Ao mesmo tempo, tinha de honrar os CDBs vincendos. Os técnicos do BC, que acompanhavam o caixa do Pleno diariamente, constataram que essa equação vinha se deteriorando. Recentemente, constatou-se que o banco não tinha liquidez nem para honrar vencimentos de curtíssimo prazo. Por isso, houve a opção por uma liquidação.
O Banco Pleno tem uma base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis ao pagamento da garantia, que somam R$ 4,9 bilhões, segundo o FGC. Em nota, o FGC afirma que os pagamentos serão efetuados conforme seu regulamento e serão feitos a partir dos dados e valores indicados pelo liquidante indicado pelo BC. De acordo com o Fundo, o processo de pagamento de todos os créditos enquadrados no regulamento será iniciado tão logo o levantamento dos dados dos credores seja concluído e disponibilizado.
O valor se somará aos R$ 40,6 bilhões de investidores do Master e aos R$ 6,3 bilhões dos clientes do Will Bank, a um total de R$ 51,8 bilhões. A cifra não inclui as linhas emergenciais mobilizadas pelo FGC ao longo do ano passado, quando os problemas de liquidez do conglomerado Master ficaram mais claros.
Pelos dados mais recentes, o FGC tinha cerca de R$ 160 bilhões em patrimônio, dos quais aproximadamente R$ 125 bilhões estariam disponíveis para uso imediato. Conforme mostrou a Broadcast na semana passada, o Conselho do Fundo concordou com um plano de recomposição que prevê o adiantamento inicial do equivalente a cinco anos de contribuição pelos bancos. Em 2027, haveria mais uma antecipação de 12 meses de repasses e, em 2028, outros 12 meses, o que levaria a um total de sete anos de contribuições adiantadas.
O plano incluiria um aumento extraordinário de 30% a 60% no valor pago mensalmente pelas instituições ao FGC, segundo relatou uma fonte a par das discussões. Os bancos também querem a possibilidade de redirecionar recursos de compulsórios bancários para ajudar na reconstrução do Fundo, mas essa proposta demanda aval do Banco Central, que ainda não se manifestou.
Até a semana passada, o FGC já havia pago R$ 37 bilhões em garantias aos credores do Master, mais de 90% do total. O Fundo também decidiu antecipar o pagamento de investidores do Will Bank que tinham até R$ 1 mil a receber, a um custo de R$ 200 milhões. O restante dos investidores terão que esperar até que o liquidante consolide a base total dos credores. O Will Bank fazia parte do conglomerado do Master, mas teve liquidação decretada só em janeiro. O Pleno havia sido vendido em 2025 para um ex-sócio do Master, portanto não integrava mais o grupo.
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