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Cecafé/Marcos Mattos: vemos chance de retirada do solúvel do tarifaço dos EUA

21 de maio de 2026

Por Leandro Silveira

Santos, 21/05/2026 – O CEO do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Mattos, afirmou que o setor cafeeiro trabalha com a National Coffee Association (NCA), a associação de café dos Estados Unidos, para incluir o café solúvel brasileiro na lista de exceções tarifárias do país norte-americano. Nos bastidores do Seminário Internacional do Café, realizado em Santos (SP), ele disse à reportagem haver sinalização de atualização da medida em “um ou dois meses”, após “mais de cem reuniões” realizadas em Washington.

“A sinalização que foi dada pelas nossas contrapartes é que em um, dois meses, poderemos ter uma nova versão de lista e que o café solúvel está sempre na mesa”, afirmou Mattos.

Segundo ele, a exclusão do café solúvel da lista mantém um ambiente de “imprevisibilidade” para o setor, mesmo com a inclusão do café verde entre os produtos protegidos das novas tarifas norte-americanas. “Há um cenário de imprevisibilidade e o café é só mais um ponto da mesa da negociação”, disse.

Mattos destacou que o café solúvel representa cerca de 10% das exportações brasileiras de café. Atualmente, o produto brasileiro é taxado em 50% pelos Estados Unidos. O executivo afirmou que a avaliação das contrapartes nos Estados Unidos é que a ausência do café solúvel na lista de exceção pode ter ocorrido por um “erro procedimental”, diante da relevância do produto para a indústria e para o consumidor local.

Segundo Mattos, a articulação política e institucional tem sido decisiva para evitar avanço de medidas comerciais contra o café brasileiro. “Tem muita coisa que depende do lado político para não virar uma tarifa”, afirmou. Ele também mencionou que o Brasil enfrenta investigações comerciais abertas pelos Estados Unidos e denúncias relacionadas ao café brasileiro apresentadas à alfândega norte-americana.

O executivo também defendeu o fortalecimento das relações diplomáticas e a busca por um acordo bilateral como forma de reduzir riscos futuros. “Se você tem um bom ambiente e tem um acordo, é mais uma ferramenta, é mais uma proteção para mitigar impactos”, disse.

Contato: leandro.silveira@estadao.com

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