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B3 traz executivo do mercado em meio a listagens no exterior e chegada de novas bolsas

19 de maio de 2026

Por Cynthia Decloedt

São Paulo, 19/05/2026 – A B3 trouxe Christian Egan, que havia chegado há apenas dois meses no Santander, para presidência, com previsão de assumir o comando da bolsa brasileira no segundo semestre. Ele sucederá Gilson Finkelsztain, que está de partida para assumir a presidência do banco espanhol no Brasil.

A escolha de Egan pegou o mercado de surpresa. Até então, a lista de potenciais candidatos tinha dois nomes principais: Caio Ibrahim David, eleito presidente do conselho no ano passado, e Luiz Masagão, atual vice-presidente de produtos e clientes da B3, trazido à Bolsa pelas mãos de Finkelsztain. Alexandre Bettamio, do Bank of America, também havia sido cotado para o cargo, mas a escolha não caminhou.

Os papéis da B3 recuavam mais de 4% no pregão desta terça-feira, 19, atrás apenas da baixa de Cosan (-5,67%). O Ibovespa cai 1,52%.

Egan tem passagens pelo Credit Suisse, Itaú e Tivio Capital, de onde foi para o Santander na liderança de segmentos de corporate e investment banking. Sua experiência inclui passagens por global markets, tesouraria, mercados listados, distribuição institucional e gestão de ativos.

Agora vai assumir uma bolsa que enfrenta um ambiente bastante diferente de quando Finkelsztain se sentou na cadeira de presidente, há 9 anos. Muitas companhias têm optado por uma listagem no exterior, especialmente do segmento de tecnologia. A discussão sobre a “exportação” de empresas para Nova York acontece há pelo menos oito ano.

Há ainda espaço para melhorar o acesso de pequenas e médias empresas na bolsa. Várias iniciativas foram tomadas, dentro e fora da bolsa, mas o espaço não chegou a ser aberto. Uma tentativa mais concreta se desenha agora com a flexibilização das regras pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para uma listagem.

Enquanto no Itaú BBA, Egan chamava atenção em 2018 ao fato de que a bolsa brasileira ter listada um número muito baixo de empresas em relação ao PIB do País e comparativamente a outros mercados da América Latina.

Há fatores conjunturais ao redor da questão, como a elevada taxa de juro no País, que sempre manteve investidores acomodados em títulos públicos ou na poupança. Mas o mercado de capitais brasileiro amadureceu muito nos últimos anos, trazendo um número expressivamente maior de investidores para o mercado.

Paralelamente, os investidores aprenderam a investir na renda fixa e no crédito privado. Volumes recordes de recursos têm sido captado pelas empresas fora da bolsa, com emissão de títulos de dívida, fazendo circular muito dinheiro entre as plataformas de investimento, gestoras e corretoras.

Os registros de todas as transações que acontecem no mercado brasileiro passam pela B3, mas a tecnologia abriu possibilidades variadas para a entrada de empresas que oferecem infraestrutura de mercado mais barata e começam a ameaçar o monopólio da B3. Sem contar com as empresas que se preparam para concorrer no mercado de ações e de derivativos, como a CSD BR, a Base Exchange e a ARX, e prometem barulho.

Reação

A B3 não também se movimentou, modernizando suas estruturas, criando novos produtos e se posicionando mais fortemente em infraestrutura de mercado. Mas há quem veja um tamanho desproporcional da B3, com um número excessivo de pessoas em comparação a outras bolsas no mundo.

A bolsa também não deixou passar oportunidades para fazer uso de uma vastidão de dados, acumulados ao longo de 100 anos. Adquiriu grandes companhias do setor de tecnologia de dados e inteligência artificial – Neoway e Neurotech – e começa a monetizar a oferta de análises e soluções para empresas sob uma nova área de negócios batizada de Trillia.

A B3 fechou o primeiro trimestre com uma alta anual de 20% em suas receitas, que atingiram R$ 3,2 bilhões. O crescimento alcançado veio da combinação de maior atividade de mercado acionário e expansão das receitas recorrentes. As receitas recorrentes, fruto do trabalho da bolsa de diversificar suas operaçoes para alem da renda variavel, vançaram 17%, com destaque para Soluções Analíticas de Dados (Trillia) (+23%)Renda Fixa e Crédito (+15%) e Soluções para Mercado de Capitais (+29%).

Em nota, o presidente do conselho da B3 disse que a trajetória de Egan é marcada por visão estratégica, proximidade com clientes, profundo conhecimento do negócio, atuação em mercados globais e está plenamente alinhada ao momento da companhia. “Iniciamos um novo ciclo – mais ambicioso, mais dinâmico e com maior capacidade de transformação”, afirmou.

Egan, por sua vez, afirmou estar “muito motivado com a oportunidade de contribuir para a próxima etapa dessa trajetória, fortalecendo ainda mais a proximidade com clientes e participantes de mercado, a excelência operacional e a agenda de inovação e crescimento da companhia”.

Contato: cynthia.decloedt@estadao.com

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