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Tarifaço de Donald Trump faz país asiático se aproximar do americano como o principal destino para bens industriais do Brasil
13 de fevereiro de 2026
Por Eduardo Laguna
O tarifaço do governo americano fez a China se aproximar dos Estados Unidos como o principal destino das exportações da indústria brasileira. Desde agosto, quando os produtos brasileiros passaram a pagar alíquotas de 50% no mercado americano, a parcela de produtos exportados aos Estados Unidos caiu para 13,5%, enquanto a participação da China subiu para 12,6%.
Os Estados Unidos sempre foram, com folga, o principal destino da indústria no exterior, comprando mais de 17% dos produtos exportados pelo setor em 2024 – antes, portanto, de o presidente Donald Trump voltar ao poder com sua agressiva política comercial. Já a China aparecia em segundo lugar, porém distante dos EUA, com 10% dos produtos industrializados embarcados pelo Brasil em 2024.
De agosto do ano passado a janeiro de 2026, porém, essa distância foi bastante encurtada, sendo inferior a US$ 1 bilhão no período: US$ 13,1 bilhões em produtos vendidos aos Estados Unidos, contra US$ 12,2 bilhões vendidos à China.
Ainda que a China não seja vista, em geral, como uma opção aos produtos manufaturados que deixaram de ser vendidos aos Estados Unidos, a indústria brasileira está de olho em oportunidades no país. No segundo semestre, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, vai liderar uma missão institucional e de prospecção na China. A entidade informa que está interessada em manter um diálogo aberto com todos os mercados estratégicos e parceiros comerciais consolidados.
Dados da balança comercial mostram que graças, em grande parte, à China, a indústria de transformação atravessa o período do tarifaço com um modesto crescimento de 2% nas exportações, quando se compara os embarques do setor desde agosto com o resultado de um ano antes. Sem a China, que aumentou em 19% as compras de produtos da indústria brasileira nos últimos seis meses, os embarques estariam estagnados, dada a redução drástica (-19,5%) das vendas aos Estados Unidos.
Contudo, na maioria dos casos, não houve um deslocamento de produtos dos Estados Unidos para a China, pois o Brasil tem pautas bem distintas com os dois parceiros comerciais. As exportações para a China são, em maior parte, de commodities, sobretudo carnes congeladas, açúcar e fibras de celulose.
Para as fábricas de produtos manufaturados, que têm nos Estados Unidos o principal destino internacional, a China é o maior concorrente e um mercado de difícil acesso. O gigante asiático produz manufaturados a custo e escala inalcançáveis, e tem capacidade de sobra para atender tanto o mercado interno quanto o resto do mundo. Em outras palavras, a China não precisa de produtos como móveis, pneus, calçados e máquinas que o Brasil está deixando de exportar aos Estados Unidos.
E mesmo se precisasse, os exportadores não conseguiriam substituir clientes dos Estados Unidos tão rápido, dado o tempo, dificilmente inferior a um ano, entre conquistar novos compradores, habilitar os produtos e montar uma rede de distribuição.
Apesar disso, à medida que a classe média chinesa aumenta, e a guerra comercial com os Estados Unidos leva a China a buscar fornecedores alternativos, portas se abrem em alguns nichos de mercado, assim como a produtos típicos ou naturais do Brasil, como café, cachaça e sandálias.
Em novembro, mais de 200 produtos, sobretudo agropecuários – como carne bovina, frutas e café -, livraram-se do tarifaço americano. Ainda assim, 4,5 mil produtos, sendo 94% da indústria de transformação, seguem pagando a alíquota de 50% para entrar no mercado americano, conforme levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Para o consultor Theo Paul Santana, que apoia empresas interessadas em aproveitar oportunidades na China, o tarifaço dos Estados Unidos provocou uma mudança de comportamento dos exportadores brasileiros, que foram pressionados a encontrar alternativas. “E, naturalmente, a China surge como o principal destino”, comenta.
“Empresários que até pouco tempo atrás sequer consideravam a China hoje estão buscando, de forma ativa e urgente, entender esse mercado, estruturar estratégias e encontrar alternativas reais de exportação […] Posso afirmar com segurança que nunca vi tanto interesse de empresários brasileiros pela China como agora”, acrescenta o consultor.
As oportunidades decorrem, principalmente, da ascensão da classe média chinesa, uma população que soma aproximadamente 400 milhões de pessoas, mais do que a dos Estados Unidos, e que, pelas metas de Pequim, deve dobrar na próxima década.
Santana cita torneiras para canalizações, dispositivos para aquecimento e centrifugadores entre os produtos que tiveram crescimento expressivo nas exportações à China. “São sinais de que há espaço para diversificação da pauta. Tenho recebido cada vez mais consultas de setores que historicamente nunca olharam para a Ásia”, conta o consultor, citando o interesse em vender para a China manifestado por empresas de alimentos processados, cosméticos e equipamentos.
No dia 30 de julho, enquanto o presidente Donald Trump anunciava a imposição da sobretaxa de 40% sobre produtos do Brasil, além dos 10% que já eram praticados, a China autorizava a compra de café fornecido por 183 empresas brasileiras.
Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC), Charles Tang diz que empresas estão agora interessadas em abrir cafeterias brasileiras no país. “Os brasileiros estão buscando alternativas de mercados. Nós, por exemplo, estamos começando a exportar açaí para a China. Nunca houve isso antes. A Moutai [fabricante de destilados chinesa] quer tanto vender seus produtos no Brasil quanto distribuir a cachaça brasileira na China. Estamos conversando com algumas grandes fábricas de cachaça para fazer esse intercâmbio”, conta Tang.
Co-chairman e CEO da filial na China do Lide, grupo que promove missões empresariais no exterior, José Ricardo dos Santos Luz Junior afirma que o tarifaço foi um catalisador às estratégias de diversificação de negócios para fora dos Estados Unidos. “Vejo o empresariado brasileiro cada vez mais interessado nas oportunidades do mercado chinês”, comenta.
“Produtos naturais, como café, mel, produtos de beleza com princípios ativos da Amazônia, são muito bem recebidos pelos chineses. Eles sabem que é um produto de alta qualidade”, acrescenta o CEO do Lide China. Ele informa que o Lide tem seis missões engatilhadas no mercado chinês, incluindo setores de turismo, construção e tecnologia. Normalmente, são três missões por ano.
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