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Na véspera da decisão, avaliação é ser pouco provável colegiado dar sinal claro sobre novos passos da política monetária
27 de janeiro de 2026
Por Por Arícia Martins e Marianna Gualter
Embora a mediana das projeções para a Selic ao fim de 2026 permaneça em 12,25% há mais de um mês no Boletim Focus, participantes do mercado discutem, à medida que o início do ciclo de cortes se aproxima, até onde o Banco Central (BC) pode reduzir o juro básico.
No final de 2025, economistas começaram a enxergar a possibilidade de redução maior dos juros até dezembro de 2026, mas a bateria de dados recentes, que mostra atividade mais forte, lançou dúvidas sobre essa hipótese, assim como a avaliação de que a eleição presidencial deste ano será tão polarizada quanto a de 2022 e poderá afetar o câmbio.
Na última semana, o dólar cedeu 1,6% ante o real, mas a visão majoritária é a de que, neste ano, a moeda dos Estados Unidos não tem espaço para cair tanto quanto em 2025, quando recuou pouco mais de 11%.
Já em relação à Selic, pesquisa do Projeções Broadcast com 37 instituições financeiras e consultorias ouvidas apontou que a mediana das estimativas para a taxa ao fim deste ano subiu de 12% para 12,38%. O mesmo viés de alta foi captado na edição mais recente do Focus, mas apenas entre as estimativas ajustadas dias antes da divulgação do boletim.
Por outro lado, a pesquisa Projeções Broadcast mostrou previsão para o juro ao final do segundo trimestre de 2027 caindo de 11,38% para 11%. Na Focus, a estimativa é de 10,50%, mesmo se consideradas apenas as previsões ajustadas mais recentemente.
A RB Investimentos elevou a estimativa para a Selic ao final de 2026 de 11% para 11,50% e informou em relatório que o processo de flexibilização monetária será cercado de desafios. A projeção foi alterada diante da demora do BC em iniciar o afrouxamento e da percepção de que as eleições presidenciais serão mais conturbadas do que o imaginado sem uma candidatura tão competitiva à direita, como a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da plataforma de investimentos, explica que a trajetória mais benigna da inflação e a comunicação mais eficaz do Comitê de Política Monetária (Copom) permitirão ao colegiado reduzir a Selic em mais do que o mercado precifica – ontem, a curva de juros futuros apontava taxa de 12,60% para dezembro deste ano.
No entanto, ele ressalta que, ao contrário de 2025, quando o debate se concentrou na necessidade de manutenção de juros elevados, em 2026 a discussão passa a ser até onde o BC conseguirá cortar a Selic sem comprometer a credibilidade do regime de metas. “Não sei se vai ter tanto rali em torno das eleições. Se tivesse, ajudaria a reduzir as expectativas de inflação” devido a um câmbio mais valorizado, disse.
Para o sócio e economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, há espaço para o Copom reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual já na reunião desta quarta-feira. Em relatório mensal de macroeconomia do banco, o ex-secretário do Tesouro defende que a manutenção dos juros em nível excessivamente restritivo por mais tempo elevaria o risco de custos desnecessários em termos de atividade, sem ganhos proporcionais do ponto de vista inflacionário.
Embora veja uma redução antecipada da Selic em relação à ampla maioria do mercado, o BTG não espera um orçamento muito maior de afrouxamento frente ao consenso: a instituição mantém a expectativa de que a taxa básica alcance 12% até o final do ano. Na seção de inflação do relatório, o economista Bruno Balassiano afirma que a dinâmica inflacionária piorou em dezembro, com núcleos da inflação de serviços acima do previsto, em linha com dados ainda fortes do mercado de trabalho.
E o cenário para 2026 segue altamente incerto, avalia Balassiano, principalmente por causa do quadro eleitoral, que pode resultar em maior volatilidade cambial e afetar as expectativas inflacionárias. O BTG manteve a projeção para a taxa de câmbio ao fim do ano em R$ 5,20, considerando recalibração de riscos domésticos que limita espaço para uma apreciação adicional muito expressiva do real.
Economista-chefe do banco BMG, Flávio Serrano pontua que o momento e o orçamento total de cortes representam duas discussões independentes. “Quanto mais o BC segurar, maior chance de um corte mais intenso”, diz Serrano, que projeta o juro básico em 12% em dezembro de 2026. Por outro lado, o economista reconhece que os dados de atividade de novembro, os últimos publicados, foram ruins para o BC, com varejo e IBC-Br superando expectativas. “O problema é o ganho de confiança no arrefecimento [da inflação] de serviços. Estava tudo caminhando em uma direção e do nada todos os dados de novembro vieram para cima, e bastante. Isso atrapalha um pouco o processo”.
Outro ponto levantado por Marcelo Bacelar, gestor de fundos multimercados da Azimut Brasil Wealth Management, que limitaria até onde o BC pode aliviar a Selic, é o atual nível do juro neutro, -aquele que não acelera nem desacelera a inflação, uma variável não observável no jargão econômico. Em sua opinião, essa taxa de equilíbrio seria maior do que a estimada pelo BC, que a calcula em cerca de 5%. Isso porque, com a Selic em 15%, um dos maiores patamares de juro básico do mundo, expectativas e inflação corrente ainda estão desancoradas em relação ao centro da meta do IPCA, de 3%.
E, se trazer o indicador ao alvo central é o maior objetivo da autarquia, como a comunicação da autoridade monetária vem destacando, o ciclo de cortes não poderia ser tão agressivo, observa Bacelar.
A comunicação do Copom estará sob a lupa do mercado financeiro nesta e na próxima semana. Analistas buscarão no comunicado e na ata da reunião de janeiro mudanças que abram as portas para o início de um ciclo de cortes já no encontro seguinte, em março. O mercado ficará atento, por exemplo, à análise do cenário econômico, às projeções de inflação e a possíveis modificações no trecho referente à decisão de política monetária.
“A probabilidade de um direcionamento muito claro no sentido de queda dos juros é bastante reduzida. Acho que ele irá descartar pontos que mantiveram o comunicado hawkish até agora, mas não trará sinalizações dovish, no sentido de um apontamento claro sobre os passos futuros”, avalia a economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta.
A opção por um discurso neutro nesse aspecto, afirma, deve permitir que o comitê acompanhe por um pouco mais de tempo o processo de maturação de dados e eventos macroeconômicos, como a evolução do cenário de inflação, do mercado de trabalho e dos impactos da reforma do Imposto de Renda (IR).
Argenta projeta o início do ciclo de cortes da Selic em março. Na comunicação de janeiro, diz, terá atenção especial às avaliações do comitê quanto ao mercado de trabalho e ao ritmo de serviços. Ela espera também ajustes no parágrafo sobre a prescrição de política monetária, com a subtração do trecho que diz que o colegiado não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado. “A retirada desse termo seria uma sinalização de um aumento da probabilidade de queda, de que o Banco Central está considerando esse movimento para a reunião subsequente”, afirma.
O início do ciclo de cortes da Selic em março se tornou a aposta quase unânime do mercado financeiro, indica levantamento Projeções Broadcast publicado na última quinta-feira, 22. Segundo a pesquisa, esse é o cenário de 34 de 37 casas consultadas.
O cenário já foi mais dividido. Na reta final de 2025, um número maior de instituições via a possibilidade de redução já nesta reunião de janeiro. Entre elas, estava o Banco Inter, que revisou recentemente a projeção de início dos cortes para março. A economista-chefe Rafaela Vitória explica que o tom conservador adotado pelo colegiado na comunicação da reunião de dezembro e os dados macroeconômicos mais recentes justificaram postergar a estimativa.
Vitória entende que na comunicação de janeiro a tendência é que o Copom mantenha uma abordagem mais conservadora, mas abra as portas para o início do afrouxamento na reunião seguinte. “Não necessariamente indicando que considera cortar a partir de março, mas pode comunicar que os próximos passos estão abertos à evolução do cenário”, diz a economista.
Ela frisa que o cenário na próxima reunião tende a contribuir para o início da flexibilização, com um câmbio mais benigno e inflação corrente mais baixa.
A baixa expectativa por um sinal explícito da autoridade monetária reflete declarações recentes de membros da autarquia. No início de dezembro, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que, embora exista no mercado uma busca por uma “seta”, o colegiado não vê a necessidade de ter um código sobre o que irá ou não fazer. Dias depois, frisou que não havia “seta nem porta fechada” em relação à decisão do comitê.
O economista-chefe da Porto Asset, Felipe Sichel, pondera que, desde a reunião de dezembro do Copom, houve alguns sinais de atividade mais forte, mas que o processo de desinflação mostrou continuidade. “O Copom não vai decretar vitória até porque a inflação segue acima do centro da meta, mas esperamos que o comitê comece a discutir na ata as condições a partir das quais o grau atual de restrição monetária possa ser revisto”, diz.
Sichel, que também prevê início dos cortes em março, espera um comunicado em janeiro praticamente inalterado, com principal ponto de atenção na projeção de inflação. Na última reunião, o Comitê disse esperar alta de 3,2% para o IPCA no 2º trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária.
“Essa projeção tem sido utilizada como ferramenta para ajudar a alinhar as expectativas do mercado. Se o Copom optar por reduzir para 3,1%, então existiria uma sinalização mais clara de que o ciclo pode começar efetivamente em março. Se mantiver em 3,2%, a mensagem é de que ele precisa ser surpreendido entre as reuniões para efetivamente começar o ciclo”, diz.
O desfalque temporário do colegiado tende a ser um pormenor na reunião de janeiro. Desta vez, a decisão será tomada por sete e não nove diretores, como de costume. A situação atípica ocorre porque ainda não foram indicados os substitutos para as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, vagas desde o final do ano passado.
Argenta observa que nas últimas decisões o colegiado se mostrou extremamente coeso, e entende que, tendo em vista esse histórico, a ausência de dois diretores não tende a modificar a interpretação da instituição sobre a forma como a política monetária deve ser conduzida.
Vitória entende que a situação até pode ter alguma influência na discussão, mas minimiza eventuais efeitos. “Nós não temos no Brasil uma transparência em relação aos membros do Copom sobre suas convicções individuais, como há nos Estados Unidos, por exemplo, que os membros falam abertamente e têm projeções que, inclusive, às vezes, são divergentes. Não é o caso aqui. Então, é difícil dizer que esses dois membros que saíram eram os mais hawkish, por exemplo, o que poderia ter uma influência”, acrescenta.
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