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Cadeia de suprimento entra em era de volatilidade estrutural

Alerta foi feito em relatório do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) divulgado nesta segunda-feira

19 de janeiro de 2026

Por Altamiro Silva Junior, enviado especial*

As cadeias de suprimentos globais entraram em uma era de volatilidade estrutural, alerta relatório do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) divulgado nesta segunda-feira, dia em que começa o evento, após um fim de semana de piora das relações entre Estados Unidos e Europa por causa da Groenlândia.

“A disrupção estrutural está forçando uma reavaliação das estratégias de investimento por empresas e governos”, afirma o documento, que recebeu o título “Perspectivas das Cadeias de Valor Globais 2026”.

Somente em 2025, as escaladas tarifárias entre as principais economias reorganizaram mais de US$ 400 bilhões em fluxos comerciais globais, segundo o documento.

Já as interrupções nas rotas mundiais de transporte marítimo aumentaram os custos dos contêineres em 40% ano a ano, o que de acordo com o relatório, sinaliza uma mudança decisiva de choques de curto prazo para uma incerteza duradoura.

Ao mesmo tempo, a produção manufatureira nas economias avançadas está crescendo no ritmo mais fraco desde 2009, enquanto mais de 3 mil novas medidas de política comercial e industrial foram introduzidas globalmente apenas em 2025 – mais de três vezes o nível anual registrado há uma década.

A instabilidade atual, segundo o estudo, reflete uma reestruturação das cadeias de valor globais, impulsionada por geopolítica, política industrial, transição energética, aceleração tecnológica, além de crescentes restrições de recursos.

“A volatilidade não é mais uma desestabilização temporária; é uma condição estrutural para a qual os líderes devem se planejar”, escreve no relatório da diretora Administrativa do Fórum Econômico Mundial, Kiva Allgood. Nessa nova ordem mundial, em meio a tarifas de Donald Trump e retaliação de outros mercados, a vantagem competitiva vem da previsão e coordenação.

“A disrupção da cadeia de suprimentos em 2026 será constante e estrutural. A fragmentação geopolítica, as mudanças nas regras comerciais e a escassez de mão de obra estão redefinindo como o valor é criado e movimentado”, disse o sócio da consultoria Kearney, que ajudou o Fórum Mundial no Estado, Per Kristian Hong.

* Davos, Suíça

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