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Segundo o Ibram, dos US$ 8,994 bilhões investidos no Brasil entre 2025 e 2029, 13% estão na Bahia.
13 de janeiro de 2026
Por Juliana Garçon
Com uma série de projetos começando do zero e outros já em desenvolvimento, a Bahia vem se consolidando como uma das principais frentes de expansão da indústria mineradora no Brasil, atraindo investimentos. O estado é amigável a investimentos no setor e vem buscando desburocratizar os investimentos, disseram fontes à Broadcast.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), do total de investimentos no Brasil, de US$ 8,994 bilhões entre 2025 e 2029, 13% estão na Bahia. Já estão em solo baiano nomes conhecidos, como Equinox Gold, Ero Caraíba, Bahia Mineração, Ferbasa e outros.
O estado só fica atrás como destino dos recursos dos dois estados tradicionais na mineração, Minas Gerais (24%) e Pará (19,7%).
Outro indicador da atividade na Bahia é o faturamento da Produção Mineral Baiana Comercializada (PMBC), que deu um salto de 39%, a R$ 13,1 bilhões, no acumulado de janeiro a novembro de 2025 ante 2024, conforme a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) do estado. Em 2024 contra 2023, a cifra havia se expandido 4,5%.
“Apesar da participação modesta na produção mineral brasileira, houve crescimento de 300% na produção baiana nos últimos dez anos”, disse a coordenadora de mineração da SDE, Ana Cristina Magalhães. “Estamos num momento muito bom. Retomamos o terceiro lugar na produção nacional.”
A atratividade é explicada, em parte, pelos investimentos realizados nos últimos 20 anos pela Companhia Brasileira de Pesquisa Mineral (CBPM), estatal baiana que apoia a atividade e hoje se chama Companhia Brasileira de Produção Mineral. Além disso, a demanda internacional por minerais críticos, essenciais à transição energética, estimula o interesse pelo Estado, que se destaca pela variedade desses recursos em seu solo.
“Temos muito conhecimento geológico, com todo o mapeamento mineral. Levantamos oportunidades e alavancamos a situação para os empreendimentos, num cenário regulatório mais dinâmico, que o Estado procura manter”, diz Magalhães.
Líder de Energia e Recursos Naturais da consultoria EY, Afonso Sartorio concorda, ressaltando que a Bahia tem perfil de aceleração na atividade mineradora. Ele ressalta o forte histórico de pesquisa, com cerca de um quinto do que foi aportado na atividade no Brasil na última década. Além disso, diz, o Estado é visto como “amigável” à atividade. “É diferente de Estados onde as atuações são mais conflituosas com o setor privado, o que impacta nas estruturas de custos.”
O aquecimento do setor contribui com a expansão das exportações. As vendas externas de minerais aceleraram de US$ 1,37 bilhão para US$ 1,6 bilhão, no período de janeiro a novembro de 2025, avanço de 23% ante igual período de 2024, tendo como principal produto o ouro, que vive forte valorização no mercado internacional.
“A Bahia cresce na mineração, ano a ano, com exploração de produtos tradicionais, como minério de ferro, e produtos que estão em voga atualmente, como terras raras”, diz Rafael Marchi, sócio-diretor da consultoria A&M Infra. “Além disso, atualmente, está se beneficiando da ‘corrida do ouro’, pois este é seu principal metal.”
Por outro lado, a produção minerária não está bem distribuída no Estado. Dois municípios concentram quase metade (42%) do faturamento da produção. O município líder é Jacobina (28% do faturamento), no norte da Bahia, na região da Chapada Diamantina. Na cidade, conhecida como Cidade do Ouro, a Pan American Silver (antiga Yamana) explora o metal amarelo. No município de Jaguarari (14%), no centro-norte baiano, a Ero Copper produz cobre.
O Estado também aposta numa nova fronteira de desenvolvimento do setor, a Província Metalogenética do Norte da Bahia, onde se identificou potencial numa série de minerais, inclusive considerados críticos e estratégicos, como níquel, cobalto, grafita, cobre, fosfato e terras raras, além de ouro e ferro. A área é considerada promissora, mas pouco explorada. “Temos 64 áreas de terras raras que estão sendo desenvolvidas na Província Metalogenética”, comenta Henrique Carballal, presidente da CBPM.
O Estado, porém, enfrenta desafios para sustentar o crescimento da indústria mineradora. O maior obstáculo aos empreendimentos é a carência de infraestrutura de transporte. “Obras como portos e ferrovias precisam ser executadas junto com os investimentos em produção”, ressalta Sartorio, da EY.
Rafael Marchi, da A&M Infra, concorda que há necessidade de infraestrutura para o escoamento da produção e considera fundamental a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), planejada para ligar o interior da Bahia ao litoral – Porto de Ilhéus – e, no futuro, conectar-se a outras ferrovias nacionais.
Pesquisa e Produção
A construção da ferrovia está dividida em segmentos. O trecho Ilhéus-Caetité da Fiol estava em andamento sob concessão da mineradora Bamin (Bahia Mineração). A empresa é controlada pelo grupo cazaque Eurasian Resources Group, que desistiu do projeto, suspendeu as obras e busca investidores para assumirem o empreendimento.
Nesse contexto, conforme informações de mercado, a mineradora Vale sofreu pressões para assumir a Bamin, garantindo a construção da ferrovia. As lideranças da companhia não descartaram estudar o projeto, mas não dão indicações claras de interesse.
Considerada fundamental na estruturação da indústria mineradora baiana, a CBPM está passando por uma reformulação, se reposicionando para ampliar as funções, podendo fazer parcerias e prestar serviços para as empresas. Hoje, a companhia participa de cinco projetos no Estado e, com sua expertise, tem facilitado o desembaraço dos processos relativos ao licenciamento e à implantação de empreendimentos para exploração mineral na Bahia.
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