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19 de maio de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 19/05/2026 – A produção brasileira de soja pode atingir 215 milhões de toneladas em 2031, acima das 186 milhões de toneladas estimadas para 2026, mas o crescimento do setor nos próximos cinco anos deve depender menos da China como principal motor de expansão e mais do avanço dos biocombustíveis, do consumo doméstico e de novos mercados compradores. A avaliação é do CEO da Veeries, Marcos Rubin, apresentada nesta terça-feira no Agri-Outlook Veeries 2031, em São Paulo.
Rubin reconheceu que a China permanece como maior consumidor e importador global de soja, mas avaliou que o país asiático já não reúne as mesmas condições demográficas e de renda que sustentaram o forte aumento da demanda nas últimas duas décadas. Na visão da consultoria, o mercado chinês continuará relevante, mas não será mais o vetor central de crescimento para o agro brasileiro.
Pelas projeções da Veeries, a área plantada com soja no Brasil deve passar de 48,7 milhões de hectares em 2026 para 54,6 milhões de hectares em 2031. O consumo interno da oleaginosa deve crescer de 66 milhões para 91 milhões de toneladas no período, enquanto as exportações avançariam de 115 milhões para 125 milhões de toneladas. O ritmo de expansão da área, de 2,4% ao ano, ficaria abaixo do observado nos últimos ciclos, refletindo a mudança na composição da demanda.
“O agro daqui para frente é estruturalmente diferente do agro dos últimos 20 anos”, disse Rubin. Na avaliação da consultoria, Índia, Oriente Médio, Norte da África e outros países emergentes devem ganhar peso como compradores, mas não substituem a China na mesma velocidade.
Nesse cenário, os biocombustíveis aparecem como peça central para sustentar a expansão da soja. O avanço do biodiesel exigirá maior esmagamento doméstico, ampliando a demanda por óleo de soja e, ao mesmo tempo, elevando a oferta de farelo. A Veeries projeta produção de 17 milhões de toneladas de óleo de soja em 2031, ante 12 milhões em 2026. No farelo, a produção deve sair de 48 milhões para 66 milhões de toneladas, com exportações próximas de 40 milhões de toneladas.
Segundo Rubin, sem crescimento adicional do biodiesel, a expansão projetada para a soja brasileira poderia representar quase 4 milhões de hectares a menos no plantio em cinco anos. “Sem biocombustíveis, a demografia não será suficiente para sustentar o crescimento do agro no mesmo patamar dos últimos 20 anos”, afirmou. Ele citou também o combustível sustentável de aviação (SAF) e o diesel renovável (HVO) como oportunidades futuras ligadas ao uso de óleos vegetais e etanol.
A tendência apontada por Rubin é de maior agregação de valor na cadeia brasileira, com ampliação da participação de produtos processados, como farelo e óleo, em detrimento do grão puro. A mudança ocorre em um momento de margens pressionadas: soja e milho acumulam quatro anos de preços abaixo da média histórica. “Hoje não se fala mais de agro desconectado do setor de energia”, disse Rubin.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
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