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2 de abril de 2026
Por Pedro Lima
São Paulo, – A escalada militar no Oriente Médio tem exposto fissuras crescentes entre os Estados Unidos e seus aliados europeus, que resistem às pressões do presidente Donald Trump para ampliar o envolvimento direto no conflito contra o Irã, enquanto priorizam contenção, diplomacia e proteção indireta de interesses estratégicos.
Nesta terça-feira, Trump voltou a elevar o tom contra parceiros tradicionais da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), como Reino Unido e França, cobrando maior engajamento. Em publicação na Truth Social, sugeriu que países afetados pela crise energética no Estreito de Ormuz “juntem coragem, vão ao Estreito e simplesmente peguem” o petróleo, acrescentando que “os EUA não estarão mais lá para ajudar”.
O republicano também criticou a França por barrar o sobrevoo de aeronaves com suprimentos militares a Israel, afirmando que o país foi “muito pouco útil” e que os americanos “vão se lembrar disso”. Na semana passada, a Itália também negou permissão para que aeronaves militares dos EUA pousassem em uma base aérea na Sicília, segundo o jornal Corriere della Sera.
No campo diplomático, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta terça-feira que o país está disposto a encerrar o conflito, desde que haja garantias contra novas agressões, e acusou Washington de não acreditar na diplomacia. Em conversa com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o iraniano disse que Teerã foi atacada durante negociações “sinceras e construtivas”, o que, segundo ele, demonstra que Washington “não acredita na diplomacia”.
Pezeshkian também classificou como “lamentável” o silêncio europeu diante das ações de EUA e Israel, e advertiu que “qualquer intervenção, sob qualquer pretexto, terá consequências perigosas”. Costa, por sua vez, afirmou que a Europa não apoia a agressão contra o Irã e defendeu a resolução do conflito por meio de negociações, ressaltando a preocupação com os impactos globais da guerra.
A cautela europeia também reflete ameaças diretas de Teerã. Ainda no início de março, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, afirmou que países europeus podem se tornar “alvos legítimos” caso se juntem à ofensiva do lado de Estados Unidos e Israel.
A pressão americana ainda é respaldada por integrantes do governo. O secretário de Guerra, Pete Hegseth, disse que o Estreito “não é apenas um problema dos EUA” e que outros países precisam estar preparados para intensificar a atuação no local. Segundo ele, mais navios estão passando por Ormuz hoje do que antes, graças à ação americana. Apesar de afirmar que negociações com o Irã avançam, reforçou a ameaça: “se não houver acordo, negociaremos com bombas”. Já o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que a aliança com a Otan pode ser revista após a guerra.
A retórica americana contrasta com a postura adotada por líderes europeus. Na segunda-feira, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reiterou que “esta não é a nossa guerra e não vamos ser arrastados para ela”, ao mesmo tempo em que defendeu esforços para reduzir a escalada. Segundo o Telegraph, Londres participa de uma coalizão de cerca de 35 países para estabilizar a região e trabalha em um “plano viável” para reabrir o Estreito de Ormuz, inclusive com possíveis medidas em nível militar voltadas à segurança da navegação.
Outros países europeus também têm evitado envolvimento direto. A Espanha fechou seu espaço aéreo para voos ligados à ofensiva liderada por EUA e Israel e proibiu o uso de bases por aeronaves envolvidas nos ataques, segundo o El País. Já a França, além de restringir operações militares, investiga possíveis conexões do Irã com tentativas de atentados em seu território, de acordo com a Associated Press, evidenciando preocupação com repercussões internas do conflito.
No âmbito político, potências europeias vêm adotando posições críticas a ações de Israel e defendendo princípios multilaterais. Alemanha, França, Itália e Reino Unido manifestaram “profunda preocupação” com a aprovação de uma lei que amplia a aplicação da pena de morte contra palestinos, classificando-a como potencialmente discriminatória e contrária a valores democráticos.
Apesar da resistência ao envolvimento militar direto, a UE tem mantido pressão sobre Teerã por outras vias. No início do mês, o bloco aprovou novas sanções contra 19 autoridades e entidades iranianas, sob o pretexto de “graves violações de direitos humanos”.
A Otan, por sua vez, tem atuado de forma defensiva em episódios específicos. A aliança interceptou mais um míssil iraniano direcionado à Turquia – o quarto episódio desde o início da escalada – e afirmou que fará “o necessário para defender todos os aliados”. Ancara, embora integrante da aliança, também sinalizou cautela ao afirmar que sua prioridade é “ficar fora desta guerra”, mesmo após episódios de tensão em seu espaço aéreo.
Nos bastidores, porém, há indícios de que países europeus consideram contribuir no pós-conflito, especialmente na proteção de rotas marítimas. Segundo o New York Times, autoridades discutem o envio de fragatas para escoltar navios e reforçar a segurança no Golfo, em planos mais avançados do que o divulgado publicamente, condicionados, no entanto, ao fim das hostilidades na região.
Contato: pedro.lima@estadao.com
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