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Nubank tem novo trimestre de recordes com crédito crescendo mais e México ganhando força

14 de novembro de 2025

Por André Marinho e Altamiro Silva Junior

São Paulo, 14/11/2025 – Enquanto expande de forma acelerada as operações no México e tenta avançar na inteligência artificial, o Nubank apresentou mais um trimestre de resultados que analistas avaliaram como fortes. O lucro recorde, de US$ 787 milhões, veio acompanhado de um crescimento “atipicamente forte” da carteira de crédito, nas palavras do diretor financeiro da fintech, Guilherme Lago. Pela reação nos mercados, os números agradaram: a ação subia 3% na Bolsa de Nova York, com a fintech avaliada em US$ 78 bilhões.

O ganho líquido recorrente superou, com folga, a previsão dos analistas consultados pelo Prévias Broadcast. Já a rentabilidade sobre o patrimônio (RoE) deu mais uma passo à frente dos pares tradicionais, para 31%. Para efeito de comparação, o do Itaú Unibanco no Brasil é de 24%, seguido de Santander (17,5%) e Bradesco (14,7%).

O Nubank também segue a curva ascendente em clientes, com uma base total que chegou a 127 milhões, um aumento de 16% no confronto anual. E já estima ser o maior no segmento de pequenas empresas. “Continuamos crescendo em um ritmo que entendemos ser saudável”, afirmou Lago à Broadcast.

Mesmo com a pressão de uma Selic a 15%, o avanço firme não provocou uma deterioração significativa da qualidade do crédito. A taxa de inadimplência curta, para atrasos entre 15 e 90 dias, caiu, fechando setembro em 4,2%, de 4,4% no segundo trimestre deste ano. Já a mais longa, para atrasos acima de 90 dias, subiu de 6,6% do trimestre anterior para 6,8%.

Analistas do Goldman Sachs, liderados por Tito Labarta, destacam a melhora na margem ajustada para o risco, a 9,9%. O custo de crédito teve retração de 15,8% no segundo trimestre para 13,6% no terceiro. “Além disso, a eficiência melhorou ainda mais, apesar dos investimentos contínuos no negócio, destacando a forte alavancagem operacional da empresa”, ressaltam.

O Itaú BBA chama atenção para a aceleração no cartão de crédito e também nos volumes capturados (TPV), que refletem o sucesso nas novas políticas de limites. Nessa frente, a fintech tem usado IA para otimizar o processo, o que abriu caminho para “ampliar significativamente os limites para clientes elegíveis, mantendo o mesmo apetite de risco”, segundo o CEO David Vélez. “Acreditamos que incorporar a IA ao nosso negócio fornece uma oportunidade única de nos diferenciar mais dos bancos tradicionais”, disse o executivo.

Na visão do analista do Itaú BBA Pedro Leduc, o crescimento da carteira de crédito foi sólido, com o crédito pessoal retomando a expansão para um nível recorde e o que se viu foi um balanço combinando lucratividade com sólidos indicadores operacionais. Em relatório, Leduc menciona o fato, apresentado pela fintech, de que a receita média por cliente (Arpac, na sigla em inglês) no México já é similar à do Brasil.

Ainda sobre a operação mexicana, onde chegou a 13,1 milhões de clientes, o Nubank destacou que o negócio tem apresentado padrão de evolução semelhante – e em alguns casos até melhor – ao que as operações no Brasil registraram nas fases iniciais de crescimento, afirmou Lago à Broadcast. “Temos tido uma surpresa positiva com a nossa performance no México, não só do ponto de vista da receita, mas também no da monetização”, disse. “O México não é igual ao Brasil, tem um monte de coisa que precisamos customizar, adaptar”, disse.

Após México e Colômbia, onde chegou a 3,8 milhões de clientes, o Nubank vai se expandir para os Estados Unidos, onde pediu licença bancária em setembro. A cofundadora Cristina Junqueira se mudou para Miami para tocar a operação por lá.

Contato: andre.marinho@estadao.com; altamiro.junior@estadao.com

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