Agronegócios
27/05/2024 08:32

CNA: falta de estratégia governamental é maior entrave para internacionalização do setor Agro


Por Isadora Duarte

Brasília, 27/05/2024 - Estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) revela que a falta de estratégia governamental para o mercado externo é o principal entrave apontado por produtores rurais no processo de internacionalização do setor. Na sequência, entre os maiores desafios, estão a qualidade da infraestrutura, a taxa de juros no País e o custo do transporte doméstico. A pesquisa foi apresentada pelo presidente da CNA, João Martins, ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, em encontro na noite de quinta-feira (23).

No documento, Martins destaca que o agronegócio vem batendo recordes de exportação. "Em 2023, as vendas externas de produtos agropecuários somaram US$ 166 bilhões, praticamente metade das exportações totais do Brasil", ressalta o executivo. Apesar dos recordes, a CNA observa que o Brasil ainda tem baixa diversificação na pauta exportadora, além de pouca relevância no comércio internacional de produtos, como frutas, mel, pescados e em cafés especiais. Para a CNA, a concentração da exportação em alguns segmentos limita a participação dos produtores rurais no mercado internacional.

Para o estudo, a CNA ouviu 900 produtores rurais, dos quais 27% exportadores e 36% com pretensão de exportar. Eles são das cinco regiões do País: 30% do Sudeste, 26% do Nordeste, 19% do Centro-Oeste, 16% do Sul e 9% do Norte. Produtores de 20 atividades agropecuárias responderam ao questionário, de pecuária, grãos a frutas.

Apontado por 67,6% dos que responderam, a falta de estratégia governamental para o mercado externo é atrelada também a poucas ações de promoção comercial como ponto crítico na avaliação dos produtores. A pesquisa concluiu que há "um certo incômodo dos produtores com relação ao posicionamento pouco agressivo do País" no cenário internacional. Considerando apenas grupos exportadores e pretendentes, esse ponto foi considerado como alto impacto para 70% dos consultados.

A complexidade da legislação e das regras no Brasil, a falta de promoção comercial, o acesso a crédito, a dificuldade para elaborar um plano de internacionalização, a burocracia documental e a volatilidade do câmbio são outros desafios considerados relevantes para o processo de exportação por mais de 56% dos entrevistados. O estudo mostrou que os principais entraves se repetem nos grupos de produtores e regiões, variando apenas entre ordem e nível de frequência.

O estudo revelou, ainda, que o grupo dos exportadores avalia de forma mais crítica as questões operacionais, enquanto para os pretendentes a burocracia, como processo inicial de documentação, está entre os mais apontados. Nas regiões Norte e Nordeste, a infraestrutura lidera os entraves. No Centro-Oeste, os fatores econômicos e tributários foram citados como maiores desafios pelos produtores. Já no Sul e Sudeste, a promoção comercial se destacou entre os pontos críticos para a internacionalização dos produtores.

As cooperativas foram citadas pela maior parte dos produtores como agentes de fomento na internacionalização e no apoio aos produtores nas regiões de atuação. Em contrapartida, muitos produtores relataram na pesquisa que não receberam nenhum tipo de assistência governamental para iniciar a exportação ou o processo de identificação de mercados.

Contato: isadora.duarte@estadao.com
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