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25 de novembro de 2025
Por Circe Bonatelli
São Paulo, 25/11/2025 – A Allos, maior empresa de shoppings do Brasil, com 45 unidades, decidiu reduzir os investimentos para 2026 e procurar alternativas de crescimento menos arriscadas para crescer, considerando o cenário de juros altos e incertezas eleitorais.
“A gente está criando opções de alocar capital de uma forma mais inteligente”, afirmou o presidente da Allos, Rafael Sales, em entrevista à Broadcast após a reunião publica com investidores e analistas realizada nesta terça-feira, 25, no Shopping Villa Lobos, em São Paulo.
Durante sua apresentação, o presidente da Allos afirmou que a empresa vai se debruçar em três frentes. A primeira é a valorização dos shoppings que já fazem parte do portfólio, com trocas de lojistas, organização de eventos e mais ações de relacionamento com clientes.
O segundo ponto são obras de expansões de pequeno porte desses shoppings, que possam ser implementadas de forma rápida. “O cenário do Brasil pede investimentos mais óbvios, com retorno certo”, apontou.
Por fim, o grupo buscará o aumento na ocupação no entorno dos shoppings, erguendo projetos residenciais, escritórios, hotéis e clínicas médicas via parcerias com incorporadoras. Neste modelo, a Allos cederá o terreno, enquanto o parceiro ficará responsável pelo desembolso com a construção.
Sem novos shoppings por enquanto
Por ora, a Allos não está pensando em investir na inauguração de shoppings ou na aquisição de empreendimentos. “Em um cenário de potencial crescimento [da economia brasileira], podemos voltar a investir em aquisições e novos projetos. Temos balanço forte e com geração de caixa para isso”, disse o presidente da companhia.
A Allos tem a opção de entrar como sócia no projeto de um novo shopping que será erguido pelo Grupo Bueno Netto na Marginal Pinheiros, em São Paulo, dentro do complexo de luxo Parque Global. Em conversa com a Broadcast, Sales evitou cravar quando o empreendimento será lançado, mas indicou que não deve ser no curtíssimo prazo.
“Achamos que o local é espetacular e tem um potencial enorme, só que o lançamento de um projeto dessa magnitude tem que ser feito no momento certo”, afirmou. “Vamos tomar essa decisão no momento que tenha maior transparência de potencial de mercado”, emendou, citando a definição das eleições e dos rumos da economia nacional. “Está no momento de esperarmos de uma forma mais cautelosa para fazer investimentos maiores”, resumiu.
O presidente da Allos disse ainda que não espera uma mudança significativa no cenário econômico do País mesmo que os cortes da taxa básica de juros (Selic) se materializem no ano que vem. “Mesmo que a Selic vá de 15% para 12%, ainda será um juro muito alto comparado com uma inflação de 4% ou 5%. Ainda assim teremos juros reais ainda na faixa de 6% a 7%”, ponderou. “O cenário com Selic a 12% vai ser apenas um cenário de arrefecimento em relação ao que é hoje. Para crescer, o Brasil precisa de juros reais de 2% a 3% como no restante do mundo”.
A Allos divulgou recentemente a meta de investir R$ 350 milhões em 2026, montante R$ 100 milhões menor do que o previsto para 2025. Por outro lado, a previsão para o pagamento de dividendos aos acionistas é quase três vezes maior para o próximo ano.
Ganho de participação de mercado
O presidente da Allos afirmou que a empresa ganhou participação nas vendas totais do setor de shoppings no Brasil apesar de ter enxugado a quantidade de empreendimentos no portfólio ao longo dos últimos anos.
Originalmente, as três companhias que formavam a Allos (Aliansce, Sonae Sierra e BRMalls) possuíam um total de 73 shoppings, número que foi reduzido para 45 atualmente. Apesar dessa diminuição, Sales enfatizou que a relevância da empresa no mercado não foi afetada.
As vendas da Allos representavam 15,6% do total de shoppings do Brasil em 2019, patamar que subiu para 20,1% atualmente. Isso ocorreu mesmo com uma redução na Área Bruta Locável (ABL) da empresa, que passou de 12,4% do total para 10,6% após as vendas de empreendimentos.
O presidente da Allos afirmou que o cenário evidencia um ganho de produtividade nas vendas, com um crescimento de 45% nas vendas por metro quadrado nos shoppings da Allos desde 2019, graças às trocas de lojijas, mais opções de serviços, gastronomia e lazer, que atraíram mais lojistas e visitantes aos empreendimentos. “Houve um ganho de produtividade enorme”.
Contato: circe.bonatelli@estadao.com
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