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3tentos: lucro líquido ajustado cresce 110,7% no 1ºTRI26, para R$ 230,9 milhões

15 de maio de 2026

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 15/05/2026 – A 3tentos encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 230,9 milhões, alta de 110,7% em comparação com igual período do ano passado, com crescimento nos segmentos de insumos, grãos e indústria. A receita operacional líquida somou R$ 4,207 bilhões, avanço de 20,2% na mesma comparação, marcando o 29º trimestre consecutivo de expansão da companhia. “Estamos muito confiantes e com perspectivas positivas para 2026, visto todos os investimentos realizados na expansão de nossas operações”, disse o CEO João Marcelo Dumoncel.

O lucro bruto ajustado com hedge foi de R$ 906,6 milhões, crescimento de 66,3%, com margem bruta ajustada de 21,6%, alta de 6 pontos porcentuais. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado com hedge somou R$ 394,3 milhões, avanço de 98,5%, com margem de 9,4%, alta de 3,7 pontos porcentuais.

Segundo o CEO, os investimentos realizados nos últimos trimestres, principalmente no segmento de indústria, começaram a aparecer nos resultados. O desempenho refletiu também o avanço da verticalização no milho, com a entrada da companhia na produção de etanol e coprodutos. “Seguimos lado a lado com o produtor na oferta de uma solução completa em busca de ganhos de produtividade com rentabilidade”, afirmou.

No segmento de insumos, a receita líquida cresceu 31,9%, para R$ 826,6 milhões, impulsionada pelo ganho de participação em novas regiões, especialmente em Mato Grosso, que respondeu por 44% da receita do segmento no período. A companhia citou ainda o deslocamento de vendas do quarto trimestre de 2025 para o início de 2026, em virtude do plantio mais tardio da soja no Rio Grande do Sul, e a demanda por produtos de maior valor agregado, como fungicidas e inseticidas.

Em grãos, a receita líquida avançou 40%, para R$ 1,47 bilhão, beneficiada pela safra recorde de soja em Mato Grosso e pela evolução das 14 lojas do Estado, ainda em fase de maturação. No milho, o desempenho refletiu principalmente a safra do Rio Grande do Sul, maior que a do ano anterior. O trigo recuou na comercialização em razão de preços em níveis historicamente baixos. Mato Grosso representou 57% da receita líquida de grãos no trimestre.

Na indústria, a receita somou R$ 1,91 bilhão, alta de 4,9%, com crescimento de dois dígitos no volume de biodiesel e farelo na comparação anual. A companhia também aguarda aprovação final da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para iniciar a operação da primeira planta de etanol de milho, em Porto Alegre do Norte (MT), com capacidade para processar 2,8 mil toneladas de milho por dia.

A companhia abriu lojas em Santana do Araguaia (PA) e Rio Verde (GO), marcando a entrada no Pará e em Goiás. Com isso, chegou a 75 unidades em quatro Estados. No segmento financeiro, a TentosCap encerrou o trimestre com carteira de crédito de R$ 510,8 milhões, crescimento de 95% em um ano.

Cautela com fertilizantes

A 3tentos vê produtores mais cautelosos na compra de fertilizantes nitrogenados, mas afirma que as negociações de sementes, defensivos, fósforo e potássio seguem em andamento, disse o CEO João Marcelo Dumoncel. Segundo ele, o nitrogênio foi o insumo mais afetado pela volatilidade recente, por sua ligação com o gás natural e com os riscos geopolíticos, enquanto outras linhas do pacote tecnológico mantêm demanda mais regular. “De fato, onde pegou foi em fertilizante. Só que, dentro de fertilizante, pensando em nitrogênio, fósforo e potássio, o nitrogênio é o que teve grande impacto”, afirmou.

No primeiro trimestre, a receita líquida do segmento de insumos da 3tentos cresceu 31,9%, para R$ 826,6 milhões. Segundo a companhia, o avanço refletiu ganho de participação em novas regiões, especialmente em Mato Grosso, deslocamento de vendas do fim de 2025 para o início de 2026 por causa do plantio tardio da soja no Rio Grande do Sul, melhores condições climáticas no Sul e demanda por produtos de maior valor agregado, como fungicidas e inseticidas.

Os dados operacionais mostram crescimento em parte relevante do pacote de insumos. O volume de fertilizantes vendido pela companhia aumentou 64% no trimestre, para 102,8 mil toneladas, enquanto defensivos avançaram 8%, para 9 milhões de quilos ou litros. Já sementes recuaram 16%, para 2,2 mil toneladas. Segundo Dumoncel, a cautela do produtor está mais concentrada nos nitrogenados, e não no conjunto dos insumos.

O executivo afirmou que o produtor rural passa por um momento delicado, marcado por rentabilidade apertada, alavancagem e juros altos. As boas colheitas têm dado algum alívio, mas o agricultor ainda precisa equilibrar investimento em tecnologia e controle de custos. “Ele precisa colher bem e, para colher bem, precisa da tecnologia ao mesmo tempo”, disse.

Segundo Dumoncel, sementes estão com preços próximos dos níveis históricos e compras adiantadas. Em defensivos, o impacto ficou restrito a algumas moléculas específicas. Já em fertilizantes, a maior cautela está nos nitrogenados. “Ele está fechando semente, está fechando defensivo, está eventualmente fechando fósforo e potássio, principalmente potássio. E deixou o nitrogenado para entender se a guerra vai continuar, se o preço em algum momento dá uma retornada”, afirmou.

A decisão de esperar está ligada ao calendário agrícola. Na operação atendida pela 3tentos, a maior parte do volume de nitrogenados é destinada ao milho de segunda safra no Centro-Oeste, cujo plantio ocorre em janeiro do próximo ano. Por isso, ainda há tempo para observar o comportamento dos preços antes de fechar compras. “De um modo geral, ele deu uma segurada nas negociações, principalmente em nitrogenado”, disse.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

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