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PF e PGR vão fazer reunião conjunta para discutir se devolvem proposta de delação de Vorcaro

13 de maio de 2026

Por Aguirre Talento, do Estadão

Brasília, 13/05/2026 – Os investigadores da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) já fizeram uma análise inicial da proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro e devem realizar uma reunião conjunta nos próximos dias para decidir o andamento do caso. Uma das principais possibilidades que será discutida é a devolução do acordo de delação.

A impressão inicial de uma parte dos investigadores do caso, de acordo com fontes ouvidas pelo Estadão, é que a proposta de delação premiada apresentada pelos advogados de Vorcaro não traz elementos novos para as investigações e não justifica a assinatura de um acordo de colaboração.

Como já mostrou o Estadão, os investigadores consideram que já possuem uma grande quantidade de provas obtidas no celular do dono do Banco Master e em outras apreensões feitas nas cinco fases da Operação Compliance Zero. Por isso, a delação só seria interessante caso trouxesse informações muito inéditas para o caso. Se não, a avaliação é que o conjunto atual de provas permite destrinchar o caso, como demonstrou a operação deflagrada na semana passada contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Essa reunião deve colocar na mesa duas hipóteses de devolução do acordo de colaboração. Uma delas é a rejeição completa, que significaria o rompimento das tratativas. A outra é solicitar complementos e dar um tempo para que a defesa melhore a proposta apresentada.

Ainda não há data marcada, mas a previsão é que essa reunião seja realizada em data próxima, porque os investigadores não querem demorar para deliberar sobre o assunto. A ideia é que tomem as decisões do caso em conjunto, já que a negociação está sendo feita tanto com a PF como com a PGR.

A proposta de delação de Vorcaro foi entregue no último dia 5. Eles passaram os últimos dias se debruçando no material. O material se divide em temas, os chamados anexos, e traz um resumo de cada assunto e a indicação de meios de provas.

A entrega da delação também marcou uma série de desgastes para a equipe de defesa de Vorcaro, o que também repercutiu negativamente entre os investigadores.

Uma delas foi a revelação, pelo Estadão, de um encontro entre o advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, e um dos aliados mais próximos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Floriano Marques. Marques conversou com Juca no café da manhã de um hotel em Brasília e admitiu ao Estadão que o assunto da delação de Vorcaro foi tema do diálogo.

Além disso, a PF pediu que Vorcaro fosse transferido da cela na Superintendência de Brasília para um presídio comum, o que também assustou os advogados.

Nos dias anteriores à entrega da delação, Juca também teve uma conversa com o relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, com resultado negativo. Apesar de o ministro não ter recebido cópia da proposta de delação, eles conversaram em linhas gerais sobre o acordo e, diante das informações apresentadas, Mendonça sinalizou que havia lacunas na proposta e que não iria homologar a delação. Juca rebateu o ministro e disse que iria apresentar um recurso aos demais ministros para tentar obter a homologação em uma decisão colegiada.

Mas essa estratégia só pode ser adotada caso, em primeiro lugar, a PF e a PGR concordem com o prosseguimento da delação. Porém, até o momento, a sinalização dada pelos investigadores é no sentido contrário. Se os órgãos de investigação não assinarem o acordo, a delação nem sequer será enviada ao STF para homologação.

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