Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Cogo: “Canetas emagrecedoras” devem impulsionar demanda por proteína e grãos até 2030

11 de maio de 2026

Por Guilherme Nannini

São Paulo, 11/05/2026 – O avanço das chamadas “canetas emagrecedoras” – medicamentos baseados em agonistas de GLP-1 como a semaglutida e a tirzepatida – está se consolidando como um dos principais vetores de mudança estrutural no comportamento alimentar global para as próximas décadas. De acordo com um relatório da Cogo Inteligência em Agronegócio, a quebra de patentes prevista para este ano deve democratizar o acesso aos medicamentos, expandindo a base de usuários para além dos atuais 18 milhões de consumidores regulares nos Estados Unidos. Para o setor produtivo, o fenômeno sinaliza uma transição de dietas focadas em volume calórico para padrões de maior densidade nutricional, o que favorece diretamente as cadeias de proteína animal e de grãos destinados à ração.

A tese central do relatório aponta que, embora o uso desses medicamentos reduza o apetite geral e a frequência das refeições, ele induz uma preferência acentuada por proteínas magras (frango, ovos e peixes) e cortes bovinos porcionados, em detrimento de ultraprocessados e carboidratos refinados. Cerca de 56% dos usuários relatam a adoção de dietas mais saudáveis, o que abre um mercado bilionário para os chamados “Smart Foods” – alimentos formulados com alta concentração proteica (>20g por porção) e baixo índice glicêmico. No cenário de longo prazo, essa mudança de hábito deve elevar a demanda por milho e farelo de soja, uma vez que a ração animal é composta majoritariamente por esses insumos (cerca de 60% de milho e perto de 25% de farelo de soja).

Projeções indicam que a demanda por milho para uso em ração pode crescer entre 3% e 10% nos próximos sete anos, enquanto o farelo de soja tem potencial de alta de até 12% no mesmo intervalo, impulsionado pela expansão da avicultura e suinocultura global. O Brasil, como maior exportador mundial de frango e um dos líderes em soja, ocupa uma posição estratégica para capturar esse valor. O relatório destaca que grandes frigoríficos nacionais, como JBS, BRF e Marfrig, já investem em portfólios voltados ao consumidor consciente e em snacks proteicos – segmento que cresce acima de 12% ao ano nos EUA. Além disso, a indústria de ingredientes brasileira deve acelerar o desenvolvimento de isolados proteicos de soja para atender ao mercado de suplementação e alimentos funcionais.

Contato: guilherme.nannini@estadao.com

Veja também