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CBA: Mercado mundial de alumínio fecha em superávit de 123 mil toneladas no 3tri25

4 de novembro de 2025

Por Ana Paula Machado

São Paulo, 04/11/2025 – A desaceleração da demanda global por alumínio fez com que o mercado mundial fechasse o terceiro trimestre com superávit de 123 mil toneladas, ante déficit de 110 mil toneladas em 2024 e 621 mil toneladas do trimestre imediatamente anterior. Os dados constam em um estudo realizado pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

A razão para o superávit de julho a setembro, de acordo com o levantamento, é a queda da demanda chinesa no período, após atingir níveis recordes no segundo trimestre de 2025. Apesar do recuo, o volume observado no mercado chinês foi recorde para o período. “Julho e agosto apresentaram desaceleração devido à paralisação sazonal do verão e à menor atividade nos setores industriais. A demanda no resto do mundo também desacelerou após atingir o maior valor desde 2022 no segundo trimestre”, informou a CBA em documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Os estoques no terceiro trimestre, de acordo com os estudos, apresentaram um giro de 48 dias, abaixo do nível de equilíbrio de 50 dias. Já em volume, o período fechou em 637 mil de toneladas, inferior ao volume estocado de julho a setembro de 2024, de 1,074 milhão de tonelada. Mas, acima do trimestre imediatamente anterior, em que o giro foi de 440 mil de toneladas.

“Após quatro trimestres consecutivos de queda, os estoques oficiais reverteram a tendência no terceiro trimestre. Pequenas entradas de metal ao longo do período elevaram os níveis dos estoques na LME, que ainda permanecem abaixo dos registrados no mesmo período do ano passado”, informou o estudo.

Já o preço do alumínio seguiu com tendência de alta, atingindo o maior valor dos últimos três anos em outubro, quando fechou cotado a US$ 2,892 mil por tonelada. “O preço do alumínio na LME seguiu a tendência de alta iniciada em abril, encerrando o trimestre com a segunda maior média desde 2022. Esses resultados evidenciam a resiliência do mercado frente às incertezas e à guerra tarifária.”

Segundo o estudo, o prêmio Midwest seguiu em alta com as tarifas do governo dos Estados Unidos, superando US$ 1,6 mil/t, ponto considerado de “breakeven” frente à taxa de importação de 50%. O preço para entrega no porto de Rotterdam, na Holanda, o referência mundial, também se apreciou, impulsionado pela antecipação da demanda local antes do início da primeira fase de cobrança da tarifa de carbono, o CBAM, em janeiro de 2026.

Para o Brasil, o relatório aponta que estabilidade na demanda na comparação trimestral, com o aumento dos investimentos em energia. Além disso, o crescimento de setores como o automobilístico, um dos grandes consumidores de alumínio, ajudaram no desempenho do período.

“No Brasil, a procura por alumínio manteve-se estável no terceiro trimestre de 2025, impulsionada pelo crescimento nos setores automotivo e de motocicletas, pela expansão da matriz elétrica (novos leilões de geração e transmissão), que favorecem o mercado de cabos, além da estabilidade na produção de carrocerias de ônibus, que demandam tanto alumínio primário quanto transformado”, diz o estudo.

Quanto aos custos, segundo o estudo, o aumento sincronizado dos principais insumos, como energia e alumina, resultou no aumento geral do custo médio da indústria no trimestre. Para a CBA, além dessas variáveis, a desvalorização do dólar em relação ao real foi mais um fator que impactou os custos, que chegaram a US$ 2,618 mil por tonelada.

O estudo aponta, ainda, que as perspectivas para a demanda de alumínio continuam favoráveis, com um aumento esperado no consumo, o que fortalece os fundamentos e tende a apoiar os preços no curto prazo. “No mercado interno, os resultados positivos em veículos leves, motos e eletrificação, e a resiliência em carrocerias de ônibus, sustentam sobretudo a demanda por fundidos, cabos e laminados.”

Contato: ana.machado@estadao.com

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