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Agência de comunicação sugeriu a Vorcaro criar ‘série de Netflix’ para defender sua reputação

12 de maio de 2026

Por Aguirre Talento, do Estadão

Brasília, 12/05/2026 – O banqueiro Daniel Vorcaro recebeu um plano de comunicação elaborado pelo empresário Thiago Miranda, da agência Mithi, que previa investir na criação de um seriado para defender sua trajetória e sua reputação. Miranda prestou depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira, 12, e contou ter confeccionado estratégias para recuperar a crise de reputação do Banco Master.

A proposta de investir em um seriado estava dentro dessas estratégias. O conceito descrito era que a série não mudaria o cenário imediato, mas ajudaria a construir uma percepção mais duradoura sobre o tema. A ação, entretanto, não chegou a ser colocada em prática.

“Série Netflix/Globoplay: Uma série em streaming não muda o presente imediato mas ajuda a definir como essa história será lembrada no futuro”, diz o plano de comunicação.

O documento cita como um dos exemplos uma série sobre o ex-jogador de basquete Michael Jordan e outra sobre o ciclista Lance Armstrong, banido do esporte por causa de um esquema de doping. “Não limpou a imagem, mas estabilizou”, registrou o plano de comunicação.

Prosseguiu o documento: “Uma série bem construída organiza fatos com começo, meio e fim. Apresenta complexidade sem simplificação moral. Humaniza sem vitimização. Registra a versão completa para o futuro. O ponto-chave é entender como elas ajudaram: não ‘inocentando’, mas mudando o enquadramento histórico e humano. Existem exemplos de séries/documentários que ajudaram a recontextualizar e, em alguns casos, recuperar ou suavizar a reputação de pessoas públicas”.

Empresário negou ter ordenado ataques

No depoimento prestado à PF, Miranda negou ter determinado ataques a autoridades do Banco Central, mas admitiu ter elaborado um plano de comunicação para Vorcaro para defender sua reputação e a do Banco Master.

O empresário também apresentou documentos sobre essas contratações. Trechos desses documentos divulgados pelo jornal Folha de S.Paulo mostram que influenciadores contratados por Miranda fizeram publicações contra o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, Renato Gomes, em troca de pagamentos de R$ 3,5 milhões.

Na apresentação dos serviços a Vorcaro, a agência Mithi, de Thiago Miranda, propôs um “marketing de guerrilha” para combater a crise de reputação do Master. O plano era apresentar o banqueiro como um “arquétipo do lutador”. “Diretriz: ‘Ninguém torce pelo banqueiro. Mas todos respeitam um homem que está no chão e tenta levantar. Vamos trabalhar a jornada do herói falível'”, diz trecho do plano de comunicação.

Em nota, a defesa de Thiago Miranda afirmou que ele adotou “postura colaborativa, transparente e respeitosa, com o objetivo de contribuir para o integral esclarecimento dos fatos”.

“É necessário distinguir, com responsabilidade, o exercício regular de atividade profissional lícita – voltada à orientação comunicacional e à preservação reputacional de pessoas e organizações – de qualquer interpretação que procure atribuir a essa atuação finalidade ilícita, ofensiva ou institucionalmente desleal. Logo, ao contrário de versões divulgadas, em nenhum momento a atuação profissional de Thiago Miranda e sua agência teve por finalidade atacar instituições públicas, autoridades, agentes públicos ou órgãos de Estado. Sua atividade sempre esteve circunscrita ao campo técnico da comunicação reputacional, da estratégia institucional e da gestão de crise, áreas legítimas de atuação profissional, especialmente em contextos de elevada exposição pública”, afirmou o advogado Rafael Martins.

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