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ABPA: antidumping sobre resinas pode elevar em 10% preço de alimentos congelados e processados

12 de maio de 2026

Por Leandro Silveira

São Paulo, 12/05/2026 – A cadeia brasileira de proteína animal afirmou, em nota, que o avanço das medidas antidumping sobre o polietileno importado dos Estados Unidos e Canadá pode elevar para perto de 10% o peso das embalagens nos preços finais dos alimentos no Brasil. Em posicionamento divulgado ontem (11), a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e entidades estaduais do setor afirmam que os custos das resinas utilizadas na fabricação de embalagens para produtos congelados e processados já acumulam alta próxima de 70% desde o agravamento do conflito no Oriente Médio.

Segundo as entidades, além dessa pressão internacional, a proposta de revisão da medida antidumping pode ampliar ainda mais os custos da cadeia. De acordo com o documento, a tarifa atualmente estaria em cerca de US$ 200 por tonelada, com proposta de elevação para aproximadamente US$ 735 por tonelada. “A mudança representaria aumento adicional próximo de 25% sobre o custo das resinas utilizadas pela indústria”, afirmam as associações signatárias do posicionamento.

O setor estima que o impacto adicional nas embalagens possa variar entre 16% e 22%, de acordo com a tecnologia empregada. Com isso, a elevação de preços dos produtos ligada aos custos das embalagens, que já supera 5% devido à crise internacional, “poderá se aproximar de 10% frente às medidas antidumping adicionais em curso no Brasil”.

As entidades destacam ainda que cerca de 50% das resinas importadas pelo Brasil no último ano tiveram origem nos Estados Unidos e Canadá, justamente os mercados afetados pelas medidas antidumping. Ao mesmo tempo, outras regiões fornecedoras, como Oriente Médio, Ásia e Egito, enfrentam restrições de oferta em meio ao conflito internacional.

Outro ponto citado pelo setor é que os Estados Unidos atualmente seriam uma das únicas fontes globais com disponibilidade de resinas base metaloceno e octenos, consideradas fundamentais para embalagens destinadas à cadeia de frio e produtos submetidos a baixas temperaturas.

No posicionamento, as entidades alertam para riscos de “inflação de alimentos, perda de competitividade das exportações brasileiras e desabastecimento de insumos estratégicos para a cadeia produtiva”. O setor defende a adoção de medidas emergenciais, incluindo “a avaliação de mecanismos temporários de suspensão ou redução das alíquotas incidentes sobre a importação de insumos estratégicos para embalagens”.

Além da ABPA, assinam o posicionamento a Associação Avícola de Pernambuco, a Associação Baiana de Avicultura, a Associação Catarinense de Avicultura, a Associação Cearense de Avicultura, a Associação de Suinocultores do Espírito Santo, a Associação dos Avicultores de Minas Gerais, a Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo, a Associação Gaúcha de Avicultura, a Associação Goiana de Avicultura, a Associação Mato-Grossense de Avicultura, a Associação Paraense de Avicultura, a Associação Paulista de Avicultura, a Associação Sul Brasileira das Indústrias de Produtos Suínos, o Instituto Ovos Brasil, o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado de Santa Catarina, o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná e o Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul.

Contato: leandro.silveira@estadao.com

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