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11 de maio de 2026
Por Cristiane Barbieri, do Estadão, enviada especial
Nova York, 11/05/2026 – A atividade produtiva brasileira está amarrada por uma âncora pesada há muitos anos: os juros altos. O custo do dinheiro tem machucado balanços e inviabilizado negócios, segundo a opinião unânime de empresários presentes no “Brasil em Pauta Nova York”, evento promovido pelo Estadão que abriu a Brazil Week na capital financeira.
Fechado a convidados, o encontro recebeu 90 empresários e lideranças de diferentes setores no Baretto NYC. Entre eles, Eduardo Peres, CEO da Multiplan; Ernesto Pousada, CEO da Vibra; Fernando Simões, CEO da Simpar; Henry Borestein, CEO da Helbor; Marcelo Guidotti, CEO da Ecorodovias; Marcio Alencar, CEO da Alelo; Marcos Molina, chairman da MBRF; Maurício Bahr, chairman da Engie Brasil Energia; Paula Lopes, CEO da Marsh; e Rui Chammas, CEO da Isacteep.
“Há muita coisa acontecendo, tanto nacional como internacionalmente, que impacta de forma dramática a economia neste momento”, afirma Benjamin Steinbruch, CEO da CSN. “A guerra (do Oriente Médio) terá efeitos imediatos na inflação e até na taxa de juros, mas o Brasil já carrega juros irreais, em termos globais, que não deixam a economia andar.”
Para ele, as ações por uma solução estruturante têm levado muito tempo para serem concretizadas, e será inevitável que o próximo presidente eleito, seja quem for, se debruce sobre o problema. “A demora faz mal e, se as mudanças não forem feitas, o crescimento é ilusório”, diz Steinbruch.
Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do conselho do Bradesco e que fez parte da mesa de conversas, afirmou que a questão fiscal é um moto perpétuo: precisa ser continuamente trabalhada.
“Se não formos capazes de fazer o alinhamento da política fiscal e da política monetária, vamos continuar com essa necessidade de ter taxas de juros que é absolutamente proibitiva para o investidor”, diz ele. “Uma taxa real (descontada a inflação) de juros de 10% é insustentável, não só para as pessoas, mas para as empresas e para o Tesouro Nacional.”
Além do efeito no custo do capital, Ricardo Gontijo, CEO da Direcional Engenharia, maior empresa do setor no País, disse que o desafio da mão de obra é outra preocupação para o crescimento sustentável. “O mais preocupante mesmo, neste momento, é o capital caríssimo, que inviabiliza grande parte das iniciativas que precisamos ter para investimentos de longo prazo no nosso País.”
Política fiscal
Marco Bologna, sócio da gestora Galapagos Capital, concorda. Segundo ele, uma política fiscal equilibrada é um dos fatores condicionantes para a redução da taxa de juros. “Sem isto, estamos fadados a sempre ter uma taxa de juros de dois dígitos”, diz.
No ano eleitoral, afirma Rodrigo Luna, CEO da Plano&Plano, construtora com forte atuação no segmento do Minha Casa, Minha Vida, é importante a busca por responsabilidade fiscal.
“Espero que possamos ter um ano político de muito debate, com cuidado com o trato da economia e sem apelos puramente eleitorais, porque as consequências são muito sérias e de longo prazo, e o Brasil não suporta mais passar por tanto tempo com juros tão altos e uma discrepância social gigantesca”, afirma.
Bruno Boetger, responsável pelo banco de atacado do Bradesco, a área que cuida especificamente de empresas, vê as consequências todos os dias, na prática. “O juro real alto machuca muito o balanço das empresas e ele já está alto por muito tempo”, afirma Boetger.
“O Banco Central iniciou o ciclo de queda, mas a guerra do Irã, que teve como consequência a alta do preço do óleo, está fazendo com que provavelmente essa queda seja menos acelerada.”
Para evitar armadilhas como essa, o desafio fiscal precisa ser solucionado o quanto antes. “O principal desafio para o crescimento do Brasil, para o investimento e para o setor privado investir é um juros mais baixo”, diz.
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