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8 de maio de 2026
Por Bruna Camargo
São Paulo, 08/05/2026 – O mercado de fundos de investimento nas cadeias agroindustriais (Fiagros) listados na B3 está atravessando um “teste de estresse”, mas segue em fase de consolidação estrutural. Dados da B3 e um levantamento elaborado pela Bloxs a pedido da Broadcast ajudam a traçar um panorama dessa indústria, que atualmente tem forte concentração em veículos de crédito, predominância de investidores pessoa física e negociação com desconto em relação ao valor patrimonial.
O levantamento elaborado pela Bloxs, com dados da Economática (base Anbima) e da Uqbar, indica que a indústria listada tem cerca de R$ 10,49 bilhões em valor de mercado e R$ 12,52 bilhões em patrimônio líquido. A amostra analisada, composta por 36 fundos ativos listados na B3, cobre cerca de 21,8% do patrimônio total do universo Fiagros, que soma R$ 57,33 bilhões e 272 veículos registrados. O recorte evidencia que a maior parte da indústria ainda está fora do mercado listado, em estruturas fechadas ou em fase pré-operacional.
Os Fiagros-FIDC concentram a maior fatia da indústria listada, respondendo por aproximadamente 86% do valor de mercado analisado. São 29 fundos com perfil de crédito privado atrelado ao agronegócio, principalmente via certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs), debêntures e recebíveis estruturados. Já os os Fiagro-FIP (de participações societárias) e os Fiagros-FII (de ativos imobiliários rurais) são menos representativos no mercado, com um e seis fundos listados, respectivamente.
O maior fundo da classe é o KNCA11, com aproximadamente R$ 2,04 bilhões, seguido por RURA11 (R$ 1,43 bilhão) e VGIA11 (R$ 854 milhão). Os cinco maiores veículos concentram cerca de 62% do valor de mercado agregado da classe.
A avaliação do levantamento da Bloxs, produzido por Gabriel Santos, head de Research da empresa, é de que Fiagros-FIDC dominam em escala, liquidez e consistência de yield, porém com piso de retorno total travado pelo spread de crédito. Já os Fiagros-FII oferecem mais dispersão, combinando performers fortes com fundos de yield “pobre”, refletindo a heterogeneidade dos lastros imobiliários. Os Fiagros-FIP aparecem como uma “classe em gestação, sem utilidade prática de benchmark neste momento”. Confira o comparativo entre as classes na tabela a seguir:
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Cotas estão descontadas
A Bloxs indica que a maioria dos Fiagros listados opera abaixo do valor patrimonial, refletindo o maior prêmio de risco exigido pelo investidor. No caso dos Fiagros-FIDC, o múltiplo P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) médio em 12 meses é de 0,842x, com mediana de 0,830x. E a dispersão é elevada: apenas os fundos NEXG11 (1,298x) e VHFA11 (1,036x) negociam acima de 1,00x, enquanto HGAG11 (0,582x) e GCRA11 (0,612x) operam abaixo de 0,65x, segundo o levantamento.
Na avaliação de Artur Carneiro, sócio-fundador da Éxes, esse desconto generalizado ajudou a travar emissões em Bolsa, enquanto estruturas fechadas e veículos cetipados passaram a ganhar espaço.
Concentração do varejo
Apesar do ambiente mais cauteloso nos mercados, a base de investidores cresceu. De acordo com o boletim mensal mais recente da B3, o número de investidores com posição em Fiagros passou de 543,9 mil em março de 2025 para 585 mil em março de 2026.
A base de investidores permanece fortemente concentrada no investidor de varejo. Nos Fiagros-FIDC, a participação da pessoa física chega a 99,7% dos cotistas, padrão semelhante ao observado nos Fiagros-FII (98,5%), de acordo com a Bloxs. Ao todo, a indústria listada reúne 871.136 cotistas, e três fundos concentram mais de 40% dessa base: VGIA11, SNAG11 e XPCA11.
Essa predominância do varejo ajuda a explicar parte da volatilidade recente. Segundo gestores ouvidos pela Broadcast, movimentos de saída ou entrada em momentos de estresse tendem a amplificar oscilações de preço, independentemente da exposição efetiva dos fundos aos eventos que motivam o fluxo. “Quando aconteceu o evento da AgroGalaxy, vimos muito movimento de pessoa física saindo por efeito manada”, exemplifica Guilherme Grahl, sócio e responsável pela estratégia de Agro da Valora Investimentos.
Contato: bruna.camargo@estadao.com
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