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Entre humanos e robôs

André Marinho Era difícil circular poucos minutos pela Febraban Tech sem ser bombardeado pela inteligência artificial. Nos três dias do maior evento de tecnologia financeira do País, robôs humanoides e agentes de IA disputavam a atenção dos 70 mil humanos que passaram pelo Distrito Anhembi, em São Paulo. O tema […]

2 de setembro de 2026

André Marinho

Era difícil circular poucos minutos pela Febraban Tech sem ser bombardeado pela inteligência artificial. Nos três dias do maior evento de tecnologia financeira do País, robôs humanoides e agentes de IA disputavam a atenção dos 70 mil humanos que passaram pelo Distrito Anhembi, em São Paulo.

O tema apareceu em boa parte dos 220 painéis que reuniam 667 palestrantes, além dos incontáveis estandes de grandes empresas que mostravam os seus negócios – a Broadcast marcou presença por mais um ano.

O público também demonstrou interesse pelo assunto, ao lotar os espaços que ofereciam experiências ligadas à IA. Na Mastercard, por exemplo, longas filas se formavam minutos depois da abertura e persistiam ao longo do dia. A bandeira apresentou totens interativos que simulavam a execução de compras feitas por agentes de IA. Também havia um “robô” servindo café para os visitantes.

Outro estande concorrido foi o da Oracle, que montou uma ativação que criava agentes do zero. Já a gigante de computação na nuvem AWS, da Amazon, exibiu o funcionamento da Amazon Nova, sua família de modelos de inteligência artificial generativa.

Nas arenas de palestras, os debates mais disputados também eram aqueles que discutiam o futuro da IA. No painel que reuniu os diretores de tecnologia dos bancões, os representantes das instituições financeiras reiteraram os planos de expansão em investimentos em tecnologia. A Febraban estima que serão R$ 3 bilhões para IA este ano e R$ 50 bilhões para tech como um todo.

A cifra é vultuosa, mas a discussão parece ter evoluído para além do financeiro. O tema do evento – “agentes inteligentes, liderança humana” – foi apenas um dos sinais dessa mudança. Na nova fronteira do desenvolvimento tecnológico, o setor agora investe também em mecanismos de controles que equilibrem a inovação com a segurança.

No jargão da indústria, são os “guardrails”. Ou melhor, para fugir do anglicanismo: sistemas de segurança que estabelecem limites para o comportamento da IA, com objetivo de evitar respostas ou ações inadequadas, arriscadas ou fora das regras definidas. É a governança da IA.

“Há um tendência de se falar que a governança freia [a evolução tecnológica], mas, na verdade, a governança é o que nos permite acelerar sem sair da pista”, resumiu o diretor de Informação (CIO) do Santander Brasil, Richard Silva.

Essa diretriz é particularmente importante quando se aplica a tecnologia ao sistema financeiro. Afinal, no fim das contas, é do meu e do seu dinheiro de que estamos falando. Uma resposta errada do ChatGPT sobre que roupa usar em um casamento vai resultar, no máximo, em um atentado contra a moda e uns olhares tortos na festa. Um comando errado do agente de seu banco, por outro lado, pode causar dores significativas no seu bolso.

Talvez por isso a implementação do comércio por agentes tem avançado em um ritmo um pouco mais lento do que o de outras revoluções da IA. Há muito entusiasmo, testes e experimentos. Mas pouco uso prático. Nem mesmo um executivo de uma gigante de pagamentos, questionado sobre quando esses assistentes serão tão usados quanto o PIX, soube muito o que responder: “Essa é a pergunta de um milhão de dólares”, admitiu.

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