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Capital Economics: cúpula Xi-Trump deve ter mais simbolismo que avanços em relação bilateral

11 de maio de 2026

Por Pedro Lima

São Paulo, 11/05/2026 – A reunião desta semana entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, em Pequim, deve produzir mais simbolismo do que avanços concretos nas relações bilaterais, avalia a Capital Economics. Em relatório, a consultoria afirma que o encontro tende a servir para estabilizar temporariamente os laços entre as duas maiores economias do mundo, sem alterar as forças estruturais que seguem impulsionando o desacoplamento entre os países.

Segundo o economista-chefe do grupo, Neil Shearing, os objetivos imediatos dos dois lados são relativamente modestos. Pequim busca ampliar a trégua comercial acertada no último encontro entre os líderes, além de obter garantias de que Washington evitará novas tarifas ou restrições à exportação de tecnologia. Já os EUA querem ampliar compras chinesas de produtos americanos, especialmente agrícolas, energia e aeronaves, além de assegurar o fornecimento de minerais de terras raras.

A Capital avalia que a China pode concordar com parte dessas demandas, mas lembra que o país “ficou bem abaixo” das metas de compras previstas no acordo comercial da “Fase 1”, firmado durante o primeiro mandato de Trump. A consultoria também considera improvável que Pequim faça grandes concessões em temas geopolíticos mais delicados, como Taiwan ou a guerra envolvendo Irã e o Estreito de Ormuz.

Para Shearing, o encontro não representa uma mudança estrutural na política americana em relação à China. Embora o governo Trump tenha suavizado parte da retórica anti-China nos últimos meses, os EUA continuam adotando medidas que aceleram o desacoplamento econômico e tecnológico entre os países, incluindo restrições a drones chineses e limitações a laboratórios chineses no mercado americano.

A consultoria argumenta ainda que os desequilíbrios macroeconômicos entre os dois países permanecem intactos. Enquanto os EUA seguem com déficits em conta corrente elevados, a China mantém grandes superávits externos impulsionados por exportações e excesso de capacidade industrial. “A geopolítica piora os desequilíbrios, e os desequilíbrios pioram as tensões geopolíticas”, resume Shearing.

Contato: pedro.lima@estadao.com

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