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11 de maio de 2026
Por Luciana Collet
São Paulo, 11/05/2026 – A renovação antecipada da concessão da Light por mais 30 anos, oficializada na última sexta-feira, 08, pelo Ministério de Minas e Energia (MME), representa, para a companhia, uma virada de página. Para além de um novo ciclo de investimentos, da ordem de R$ 10 bilhões nos próximos cinco anos, o dobro do que realizou nos últimos anos, a companhia poderá finalmente avançar na etapa final de seu plano de recuperação judicial, com a capitalização e conversão de dívidas, abrindo caminho também para a distribuidora voltar a acessar o mercado de crédito ainda em 2026.
Segundo o presidente da Light, Alexandre Nogueira, os próximos 90 dias devem concentrar os “últimos dois atos” do processo de recuperação judicial: o aporte de capital pelos acionistas, no valor de até R$ 1,5 bilhão, o que deve ocorrer nos próximos 60 dias, e a conversão de dívidas de R$ 2,2 bilhões em equity, nos 30 dias sucessivos.
“Finalizando esses processos, em 90 dias, cumprimos o previsto do plano de recuperação social e, imediatamente, a Light pede o juiz pra sair do cenário de recuperação judicial”, disse o executivo à Broadcast.
Nogueira afirmou que, somadas, as medidas devem resultar em um aporte de capital entre R$ 3,2 bilhões e R$ 3,7 bilhões, sendo R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão de capitalização e o restante de conversão de dívida. De acordo com ele, isso deve levar a uma redução da alavancagem para um patamar “sustentável” da concessão, pouco abaixo de duas vezes.
A partir daí, a expectativa da companhia é retomar o acesso ao mercado, com captações que ajudem a sustentar o programa de investimentos. “A gente tem que ver essa concessão, já a partir do segundo semestre, pós-saída do processo de recuperação judicial, como uma concessão normal, que vai ter sua sustentabilidade econômica, financeira e operacional, e que vai voltar ao mercado de crédito, que é uma condição normal e necessária para fazer esse programa de investimentos”, afirmou.
O plano é acessar o mercado ainda em 2026. Nogueira disse que a companhia já vem sendo sondada por instituições financeiras e avalia “todas as modalidades possíveis de captação”. Segundo ele, a reestruturação do conselho de administração, com uma visão mais próxima do mercado financeiro, bem como a chegada do novo executivo financeiro, Leonardo Gadelha, “são sinais de que a companhia estará muito atuante, não só no mercado de crédito, como no mercado de equity, porque a gente espera ter essa proximidade e resgatar a credibilidade da Light nesses dois mercados”.
Para ele, a frustração do investidor, até pessoa física, com o processo de recuperação judicial foi superada. “Foi um processo muito exitoso, em termos de recuperação judicial, porque tinha mais de 63 mil credores, era muito pulverizado e complexo de fazer qualquer tipo de acordo, mas tem apenas uma ação na Justiça contestando o plano”, disse.
Na sua avaliação, a baixa contestação reflete o diálogo e entendimento obtidos durante o processo. “No final o credor compreendeu que não poderia ter aquela situação que havia a expectativa, porque a empresa não estaria preparada para o cenário de desalavancagem que era condição necessária para a renovação da concessão”, afirmou.
Investimentos
O novo contrato de concessão da Light, com novas exigências de qualidade de prestação de serviço, impulsiona um programa de investimentos mais agressivo, estimado em R$ 10 bilhões em cinco anos, com média de R$ 2 bilhões ao ano, o dobro do realizado anualmente nos últimos anos e o maior da história da companhia, segundo Nogueira.
O executivo indicou que a maior parte dos recursos será aplicada na modernização e renovação da rede existente nos 31 municípios em que atua – onde vivem mais de 70% da população do Estado do Rio de Janeiro, com 4,3 milhões de unidades consumidoras.
Ele evitou destacar uma iniciativa específica do programa, mas lembrou que a companhia tem o maior ativo subterrâneo da América Latina, com cerca de 3 mil quilômetros, e será necessária uma grande intervenção nessa rede.
A expectativa dele é que os investimentos permitam à companhia seguir em trajetória de redução de seus indicadores operacionais. Nogueira lembrou que, por anos, a Light registrou o pior Tempo Médio de Atendimento (TMA) do Brasil, chegando a 2022 com índice de 18% de seus consumidores com interrupção de fornecimento por mais de 24 horas. A despeito das restrições de caixa recentes, a empresa conseguiu reduzir essa taxa para a média brasileira de 3% a 4%. “Nos próximos três anos, a gente espera ficar entre os 30 tempos médios de atendimento ao consumidor”, disse.
Conhecida por ser uma área de concessão complexa, com localidades em que a empresa tem dificuldade de operar, por ter limitação de acesso devido à violência e domínio por grupos criminosos, como tráfico de drogas e milícia, a Light terá, no novo contrato, um tratamento regulatório diferenciado para essas chamadas “áreas de severa restrição”. Segundo o executivo, a Aneel deve regulamentar o tema entre o “no final desse ano, início do próximo ano”.
Ele evitou tecer comentários sobre expectativas para essa discussão. Por outro lado, defendeu outra regulamentação prevista para os novos contratos: a de reconhecimento anual dos investimentos realizados. “Distribuição é um setor de disponibilidade, que é recorrente de investimento; você não pode investir mais um ano ou concentrar o seu investimento nos últimos anos do ciclo tarifário, como era no contrato anterior”, disse.
Contato: luciana.collet@estadao.com
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