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8 de maio de 2026
Por Elisa Calmon
São Paulo, 08/05/2026 – O balanço da Embraer decepcionou o mercado após a fabricante registrar piora nas margens da aviação comercial e executiva, apesar da receita recorde no primeiro trimestre. As ações da companhia recuavam mais de 10% nesta sexta-feira, no maior tombo intradiário na B3 desde março de 2022.
A reação negativa ocorreu mesmo após a fabricante reportar receita líquida de R$ 7,5 bilhões entre janeiro e março, alta de 18% na comparação anual e maior patamar já registrado pela companhia para um primeiro trimestre. O lucro líquido, porém, caiu 51%, para R$ 145 milhões, ficando 42% abaixo das projeções compiladas pelo Prévias Broadcast.
O desempenho levantou dúvidas sobre o espaço para revisões positivas das projeções ao longo do ano. “O guidance da companhia foi mantido, mas agora parece menos conservador diante do impacto das tarifas e do desempenho mais fraco no primeiro trimestre”, afirmaram os analistas do UBS BB Alberto Valerio, Gavin Parsons e Rafael Simonetti.
A rentabilidade foi o principal ponto negativo do trimestre, segundo o Citi. Na Aviação Comercial, a margem bruta foi a menor para um primeiro trimestre em três anos. Já no segmento executivo, André Mazini, Kiepher Kennedy e Piero Trotta destacaram os impactos negativos das tarifas americanas.
A receita da Aviação Executiva avançou 17% na comparação anual, para R$ 2,2 bilhões. Ainda assim, a margem Ebit ajustada recuou de 11,1% para 5,9%.
As tarifas de importação dos Estados Unidos tiveram impacto negativo de US$ 12 milhões sobre os resultados da unidade no trimestre, equivalente a uma pressão de 280 pontos-base sobre as margens do segmento. Além do efeito tarifário, a Embraer atribuiu a piora da rentabilidade a maiores despesas comerciais ligadas ao lançamento da família Praetor 500/600 e à composição dos clientes que receberam aeronaves no período.
Durante teleconferência com analistas, o CFO Felipe Santana projetou uma normalização gradual das margens da unidade nos próximos trimestres. “Não esperamos novos impactos”, disse o executivo. Contudo, ressaltou que as tarifas americanas ainda podem pesar nos resultados do próximo trimestre, considerando os efeitos sobre o estoque.
Na Aviação Comercial, a receita cresceu 32% na comparação anual. A margem bruta da divisão, porém, recuou de 4,8% para 0,9%, enquanto a margem Ebit ajustada passou de -5,1% para -9,8%, refletindo mix menos favorável de clientes, maiores custos logísticos e ausência de efeitos positivos não recorrentes registrados no ano anterior.
A divisão de Defesa & Segurança foi o principal destaque positivo. A receita cresceu 47% na comparação anual, enquanto a margem Ebit ajustada avançou de -1,5% para 16,9%, favorecida por alavancagem operacional e por um impacto positivo de US$ 25 milhões em itens não recorrentes.
No entanto, o Itaú BBA ponderou que esse efeito extraordinário mascarou parte da fraqueza operacional do trimestre. “Ajustando esse efeito extraordinário, o Ebit teria ficado 28% abaixo do esperado”, afirmaram os analistas Daniel Gasparete, Gabriel Rezende e Pedro Tineo.
Perspectivas
Apesar da reação negativa do mercado aos resultados, os bancos mantiveram visão construtiva para a companhia. “A tese de investimento permanece intacta”, afirmaram os analistas do Itaú BBA, que reiteraram recomendação outperform (equivalente à compra) para os papéis da fabricante, citando perspectivas de crescimento de dois dígitos e potenciais catalisadores ainda não precificados pelo mercado.
Entre eles, os analistas mencionaram o avanço da Eve, oportunidades em defesa na Índia e nos Estados Unidos e eventual melhora do ambiente geopolítico global.
Durante a teleconferência, o CEO Francisco Gomes Neto afirmou que a Embraer não identificou, até o momento, impactos diretos do conflito geopolítico sobre campanhas de vendas ou adiamentos de entregas.
Contato: elisa.ferreira@estadao.com
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