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Fontes: equipe econômica cita ‘imoralidade’ e ‘escárnio’ em nova gratificação da Câmara

5 de fevereiro de 2026

Por Mateus Maia

Brasília, 04/02/2026 – Integrantes da equipe econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citaram “imoralidade” e “escárnio” à reportagem da Broadcast sobre a nova gratificação aprovada para funcionários da Câmara dos Deputados que faz com que seus salários possam beirar os R$ 80 mil.

No primeiro dia de votações em 2026, o Senado aprovou, na terça-feira, 3, o projeto de lei 179/2026, que concede penduricalhos “fura-teto constitucional” para servidores da Câmara. A matéria foi à sanção presidencial. Durante a votação, a relatora, senadora Leila Barros (PDT-DF), foi questionada sobre o impacto da proposta, mas afirmou que caberá à Câmara encaixar o reajuste.

De autoria da Mesa Diretora da Câmara, o texto cria a Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE). Essa gratificação concede um dia de licença para cada três dias de trabalho, com possibilidade de um recebimento em dinheiro em vez da licença. Com isso, o salário de altos funcionários da Câmara pode chegar a aproximadamente R$ 77 mil. O teto constitucional, que deveria ser o limite de recebimento de um funcionário público, é o salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF): R$ 46.366,19.

Na avaliação de fontes da área econômica do governo, um possível veto de Lula seria uma decisão política, já que se trata do Orçamento de outro Poder e tecnicamente é uma indenização.

Ainda assim, a análise não é positiva. Isso porque o Congresso teria encontrado uma forma de burlar o teto constitucional pagando duplamente. Ao criar uma licença para cada três dias de trabalho, o servidor, que já receberia por trabalhar aquele quarto dia, agora será indenizado.

A ideia é que esse tipo de medida piora ainda mais a imagem da classe política, porque essa remuneração extra não está sendo dada em um país como a Suíça, se trata do Brasil com todas as suas desigualdades e por isso geraria ainda mais revolta da população contra os políticos.

Para os governistas da área econômica, são esses tipos de ação que fazem com que surjam mais candidatos fortes com discursos anti-sistema e como as ideias extremistas ganham apoio popular.

Contato: mateus.maia@broadcast.com.br

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