Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

ONU/Lula defende regular big techs e diz que quem critica ajuda a encobrir ‘interesses escusos’

23 de setembro de 2025

Por Aline Bronzati, correspondente, e Gabriel Hirabahasi

Nova York e Brasília, 23/09/2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira, 23, a regulação das plataformas digitais e disse que aqueles que se opõem a ela estão ajudando a “encobrir interesses escusos”. A defesa foi feita na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira, 23, em Nova York. A crítica atinge diretamente as big techs, grande parte delas sediadas nos Estados Unidos.

Lula disse que as “plataformas digitais trazem possibilidade de nos aproximar como jamais havíamos imaginado, mas têm sido usadas para semear intolerância, misoginia, xenofobia e desinformação”.

“A internet não pode ser terra sem lei, cabe ao poder público proteger os mais vulneráveis. Regular não é restringir liberdade de expressão, é garantir que o que já é ilegal no mundo real seja tratado assim também no ambiente virtual”, afirmou o presidente brasileiro, que foi o primeiro chefe de Estado a discursar na assembleia.

“Ataques à regulação servem para encobrir interesse escusos e dar guarida a crimes como fraudes, tráfico de pessoas, pedofilia e investidas contra a democracia. o Parlamento brasileiro, corretamente, apressou-se em abordar esse problema”, completou.

O presidente disse, ainda, que o Brasil aprovou recentemente “uma das leis mais avançadas do mundo para proteger crianças e adolescentes” e ressaltou que seu governo encaminhou ao Congresso um projeto para regular as plataformas digitais sob a perspectiva da concorrência nos mercados digitais e para incentivar a instalação de datacenters sustentáveis.

Lula também criticou os gastos dos países mais ricos em itens militares e disse que “a única guerra em que todos podem sair como vencedores é a guerra contra a fome”. Para o presidente brasileiro, a pobreza “é tão inimiga da democracia quanto o extremismo”.

“A comunidade internacional precisar rever as suas prioridades. Reduzir os gastos com guerras e aumentar a ajuda ao desenvolvimento, aliviar o serviço da dívida externa dos países mais pobres, sobretudo os africanos e definir padrões mínimos de tributação global, para que os super-ricos paguem mais impostos que os trabalhadores”, defendeu.

Contatos: aline.bronzati@estadao.com e gabriel.hirabahasi@estadao.com

Veja também