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Máquina agrícola: lucro líquido da AGCO sobe a US$ 55 milhões no 1ºtri26

5 de maio de 2026

Por Guilherme Nannini

São Paulo, 05/05/2026 – A AGCO, fabricante norte-americana de máquinas agrícolas de marcas como Valtra e Massey Ferguson, reportou lucro líquido de US$ 55 milhões, ou US$ 0,76 por ação, no primeiro trimestre de 2026. O resultado supera o lucro de US$ 10,5 milhões, ou US$ 0,14 por ação, registrado no mesmo período de 2025. Em termos ajustados, o lucro por ação avançou de US$ 0,41 para US$ 0,94. As vendas líquidas da companhia somaram US$ 2,34 bilhões no trimestre, uma alta de 14,3% frente ao reportado um ano antes.

No desempenho regional, as vendas na América do Norte cresceram 10% no trimestre, totalizando US$ 406,4 milhões, impulsionadas por maiores volumes de tratores de alta potência e pulverizadores. No entanto, a margem operacional na região permaneceu negativa por causa dos custos elevados de insumos relacionados a tarifas. Na Europa e Oriente Médio, a receita saltou 20,3% para US$ 1,6 bilhão, enquanto a região Ásia/Pacífico/África teve alta de 31,2%, somando US$ 124 milhões. Em contrapartida, as vendas na América Latina recuaram 17,3%, para US$ 211,7 milhões, refletindo uma demanda mais fraca da indústria em todas as categorias de produtos.

Em relação ao mercado global, a AGCO observou que os produtores iniciaram 2026 com foco na gestão de custos, com preços de milho, soja e trigo próximos aos níveis de equilíbrio. Na América do Norte, as vendas de tratores da indústria caíram 8% no trimestre, enquanto no Brasil a queda foi de 10%, influenciada por custos de produção elevados e crédito apertado. Na contramão, a Europa Ocidental registrou alta de 7% nas vendas de tratores da indústria, apoiada pela renda estável de produtores de leite e pecuária.

Como parte de sua estratégia de negócio, a AGCO anunciou a venda de sua participação de 49% nas joint ventures AGCO Finance nos EUA e Canadá para o Rabobank por aproximadamente US$ 190 milhões. Os recursos serão utilizados para recompras de ações, com a previsão de iniciar um programa de US$ 350 milhões no segundo trimestre de 2026. Além disso, o Conselho de Administração aprovou o aumento do dividendo trimestral regular para US$ 0,30 por ação.

Para o acumulado de 2026, a companhia elevou sua projeção e espera que as vendas líquidas variem entre US$ 10,5 bilhões e US$ 10,7 bilhões. A margem operacional ajustada deve ficar entre 7,5% e 8%, com o lucro por ação estimado em aproximadamente US$ 6. Essas projeções consideram as políticas tarifárias vigentes na data de hoje e as estratégias de mitigação da empresa.

O CEO da empresa, Eric Hansotia, destacou que a empresa entregou resultados saudáveis de vendas e margens, refletindo uma execução disciplinada em um mercado agrícola exigente e um ambiente global dinâmico. Segundo o executivo, a companhia superou o mercado especialmente em equipamentos de alta potência e agricultura de precisão, reforçando a estratégia “Farmer-First”. Hansotia afirmou que a AGCO manteve o foco no alinhamento da produção para progredir na redução dos estoques da empresa e das concessionárias, alcançando margens próximas do recorde na Europa e ganhando participação de mercado na América do Norte.

Contato: guilherme.nannini@estadao.com

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