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IBGE: 18 das 24 atividades têm altas de preços no IPP de março

29 de abril de 2026

Por Daniela Amorim

Rio, 29/04/2026 – A alta de 2,37% nos preços dos produtos industriais na porta de fábrica em março foi decorrente de elevações em 18 das 24 atividades pesquisadas, segundo os dados do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado tem “impacto significativo do mercado externo”, afirmou Murilo Alvim, gerente do IPP no IBGE.

“Essa alta pode ser explicada, em grande parte, pelo contexto de maior instabilidade no cenário internacional, especialmente no Oriente Médio, cujos conflitos tiveram início no final de fevereiro, mas que se intensificaram durante o mês março e fizeram com que preços mais altos fossem observados em 18 dos 24 setores analisados na pesquisa”, explicou o pesquisador, em nota do instituto.

O aumento de 18,65% nos preços do segmento de indústrias extrativas deu a principal contribuição para o resultado do IPP, responsável por 0,81 ponto porcentual.

“Essa alta foi puxada, principalmente, pelos maiores preços dos óleos brutos de petróleo, já que as tensões geopolíticas têm impactado a oferta global da commodity, que também está com seu escoamento dificultado pelas restrições de navegação no Estreito de Ormuz”, lembrou Alvim.

Além dos óleos brutos de petróleo, o minério de ferro também avançou em linha com o mercado internacional. O IBGE acrescenta que, em março, houve redução na extrativa apenas no gás natural liquefeito ou no estado gasoso.

“Seguindo a cadeia do petróleo, outras atividades aparecem como destaque no mês. Uma delas é a de refino de petróleo e biocombustíveis, que avançou 4,24% em março e esta é a maior alta desde setembro de 2023. Esse resultado foi influenciado sobretudo pelos maiores preços do diesel e dos óleos combustíveis. Por outro lado, uma menor demanda pelo álcool conseguiu segurar um pouco o resultado do setor”, completou Alvim.

Outras atividades que pressionaram o IPP foram alimentos (com impacto de 0,45 ponto porcentual), refino de petróleo e biocombustíveis (0,41 ponto porcentual) e outros produtos químicos (0,40 ponto porcentual).

Após 10 resultados negativos consecutivos, os alimentos subiram 1,90% em março, impactados pelos preços da produção pecuária.

“Essa variação foi puxada principalmente pelos laticínios, cujo grupo econômico teve um aumento de 9,66% no mês em um cenário de menor oferta de leite in natura no mercado, combinado com um custo de produção que vem se mantendo em patamares elevados. Além dos laticínios, vale mencionar os preços das carnes e dos açúcares”, concluiu.

Contato: daniela.amorim@estadao.com

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