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4 de maio de 2026
Por Antonio Perez
São Paulo, 04/05/2026 – Após trocas de sinal pela manhã, o dólar à vista se firmou em terreno positivo à tarde, em sintonia com o comportamento da moeda americana no exterior, e fechou em alta de 0,30%, a R$ 4,9677. Ativos como bolsas e divisas emergentes sofreram com o aumento da percepção de risco geopolítico após relatos de ataques iranianos a instalações petrolíferas dos Emirados Árabes Unidos.
A ausência de sinais concretos de avanço nas negociações de paz no Oriente Médio ao longo do fim de semana – aliada à queda de braço entre Estados Unidos e Irã em torno do tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz – avivou temores de abandono do cessar-fogo, impulsionando os preços do petróleo. O contrato do barril do tipo Brent para julho – referência de preços para a Petrobras – superou a marca de US$ 115 na máxima e fechou cotado a US$ 114,44, em alta de 5,8%.
O real apresentou perdas menores que as de seus principais pares, grupo que abrange as divisas latino-americanas, o rand sul-africano e moedas de países exportadores de commodities, como o dólar australiano e canadense. Analistas atribuem a resiliência do real ao fato de o país ser exportador líquido de petróleo, o que faz com que a escalada dos preços da commodity se traduza em melhora dos termos de troca. Outro ponto que joga a favor da moeda brasileira é a perspectiva de encurtamento do espaço para queda adicional da taxa Selic diante do choque energético.
Mesmo nos momentos de maior estresse da sessão, no início da tarde, o dólar permaneceu abaixo do nível de R$ 5,00, tocando máxima a R$ 4,9824. A moeda americana encerrou abril com perdas de 4,3% e no menor valor de fechamento desde 7 de março de 2024. No ano, o dólar recua mais de 9% em relação ao real, que tem, no período, o melhor desempenho entre as divisas mais líquidas, incluindo fortes e emergentes.
O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, afirma que a escalada dos preços do petróleo levanta dúvidas sobre a magnitude e a continuidade do atual ciclo de “calibração” da taxa Selic pelo Banco Central. Ele ressalta que o próprio Comitê de Política Monetária (Copom) reconhece o aumento dos riscos inflacionários ao avaliar que a economia brasileira cresce acima de seu potencial.
“Talvez haja mais um ou dois cortes da Selic em 25 pontos-base. Mas não me surpreenderia se o BC adotasse uma postura mais conservadora, optando por uma pausa nesse ciclo de calibração diante de tantas incertezas”, afirma Galhardo. “A perspectiva de que a taxa de juros seguirá elevada é suficiente para dar certa sustentação ao real em meio a episódios de escalada da moeda americana no exterior, como o de hoje”.
Referência do comportamento da moeda americana em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou em alta e, após máxima aos 98,536 pontos, rondava os 98,400 pontos no fim da tarde, avanço de cerca de 0,30%. Euro e libra apresentaram perdas superiores a 0,20%. Além de a economia europeia ser a mais prejudicada pela escalada dos preços de energia, o euro foi abalado pela ameaça do presidente Donald Trump de elevar em 25% as tarifas sobre importações de carros e caminhões da União Europeia.
A alta do DXY não foi maior em razão da valorização da coroa norueguesa, favorecida pela alta do petróleo, e do fato de o iene ter operado ao redor da estabilidade, com viés de queda. Segundo relato da Reuters, a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, alertou hoje contra movimentos especulativos no câmbio. Houve suspeitas de intervenção do Banco do Japão (BoJ) no mercado cambial na última quinta-feira.
As taxas dos Treasuries apresentaram alta firme, com o retorno do papel de 2 anos – mais ligado às expectativas sobre o rumo da política monetária – em alta de mais de 2%, acima de 3,95%, e com máxima perto de 4%. Ferramenta de monitoramento do CME Group mostra que as chances de alta de juros pelo Federal Reserve em março de 2027 voltaram a superar 50%.
Por aqui, a Bradesco Asset alterou a projeção para a taxa Selic no fim de 2026 de 12,75% para 13,50%, dada a piora das expectativas de inflação. Já a estimativa para a taxa de câmbio caiu de R$ 5,30 para R$ 5,10, diante de dados sugerindo um saldo comercial elevado neste ano, em razão das exportações de combustíveis e derivados. Além disso, a instituição observa que os Investimentos Diretos no País (IDP) seguem robustos, tendo superado o déficit em transações correntes nos últimos meses.
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