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7 de maio de 2026
Por Célia Froufe, Cícero Cotrim e Flávia Said
Brasília, 07/05/2026 – O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, disse em entrevista à Broadcast que pode haver medidas adicionais para enfrentar a alta dos preços dos combustíveis no País, sendo provável uma extensão, em junho, das que já estão em vigor até o fim de maio. Ceron avaliou que o governo agiu rápido para garantir o abastecimento e evitar o repasse abrupto de preços nas principais cadeias.
“Claro que tem algum repasse, porque a gente está vendo ali algumas cadeias com alguma pressão, mas nada abrupto que vai criar um colapso”, disse o secretário. “Não está parecendo que o petróleo vai voltar para um patamar razoável no horizonte de 30 dias. Então, é provável que talvez ainda haja necessidade de, pelo menos em junho, ter algumas medidas.” Segundo ele, a dosagem dessas medidas vai depender do preço do barril do petróleo.
Ceron também considerou improvável o governo conseguir avançar na tributação de títulos isentos, como LCI e LCA, ainda este ano. Mas indicou que a discussão deve continuar, por causa do impacto desses títulos na dívida pública. “Já é majoritário o entendimento no mercado como um todo de que é um que é um problema que precisa ser enfrentado. Essa é minha percepção”, sustentou. “Agora, as soluções variam, como fazer um processo de transição, de ajuste, ninguém é contra apoiar”, completou.
Veja abaixo os principais trechos da entrevista:
Broadcast: A guerra em torno do Estreito de Ormuz não dá sinais de que vai acabar tão cedo. Como vocês estão acompanhando isso, porque pode ser que haja contínuos impactos sobre os combustíveis no mundo inteiro, e no Brasil, vários países estão fazendo várias ações. A equipe econômica está pensando em outras alternativas, outras formas de abordar o assunto?
Ceron: A gente agiu rápido. O Brasil está posicionado como um dos países que agiram mais tempestivamente. Várias ações feitas aqui estão sendo copiadas. Nós estamos trabalhando com algumas prioridades. A prioridade número um é garantir o abastecimento. Está bem resolvido. Nós atuamos sobre o diesel, para garantir a importação de diesel, que é o único onde a gente tem uma fragilidade importante e é um insumo fundamental. E, na segunda camada, evitar um repasse abrupto de preços nas cadeias principais. Está funcionando, você já percebe uma estabilização de preço. Acho que foi muito bem-sucedido. E nós estamos calibrando. Então, na primeira rodada, entrou com uma subvenção delimitada. A gente complementou mais um pouco. Mas sempre com razoabilidade, sempre por um período de 60 dias para gente poder ir reavaliando, para não ir contratando um problema fiscal para frente. Ela está mais ou menos batendo com o que está gerando de receita adicional por conta disso. Estamos trabalhando de uma forma muito equilibrada e responsável e estamos agindo. Claro que tem algum repasse, porque a gente está vendo ali algumas cadeias com alguma pressão, mas nada abrupto que vai criar um colapso, a gente está monitorando tudo bem atentamente, as coisas estão indo bem. Claro, pode ter alguma medida adicional? A gente está discutindo um PLP [projeto de lei complementar] no Congresso justamente para ter possibilidade de fazer compensações para combustíveis e eventualmente até para gasolina, se for aprovado. E para poder mostrar que tem sempre uma neutralidade fiscal. E mesmo se o conflito acabar no curto prazo, vai ter efeitos por meses para reestruturar, reorganizar as cadeias. E talvez nem volte plenamente.
Broadcast: Então, é bem provável que as medidas sejam estendidas para além de maio?
Ceron: Não está parecendo que o petróleo vai voltar para um patamar razoável no horizonte de 30 dias. Então, é provável que talvez ainda haja necessidade de, pelo menos em junho, ter algumas medidas. A calibragem, a dosagem delas vai depender de como estiver o petróleo. Não dá para saber. Acho que ninguém no mundo consegue ter uma previsibilidade razoável para um horizonte de 30 dias.
Broadcast: Ao longo do ano passado, a Fazenda aventou em vários momentos a possibilidade de criar algum tipo de tributação sobre aqueles títulos isentos, como LCI e LCA, que concorrem com os títulos do Tesouro e dificultam a gestão da dívida pública. Como está essa discussão? Ela foi deixada? Ela ainda vai ser retomada esse ano ainda, talvez?
Ceron: Essa discussão sempre vai existir, porque o problema continua existindo. Nós temos um problema. É o que eu sempre disse, sou coerente com minhas posições. Ele tem gerado distorções na curva de juros. De alguma forma, vamos ter que encontrar uma solução para que ele não gere essa externalidade negativa que ele está gerando hoje. O momento é sempre difícil de falar. Mas, é um problema que em algum momento precisa ser enfrentado.
Broadcast: Mas tem chance de ser enfrentado ainda neste governo?
Ceron: Não consigo dizer, não há uma janela agora, mas um período em que tem que evitar novas coisas. Mas é uma questão que é uma distorção. Ele tem uma externalidade negativa. Como política pública, custa muito mais do que parece. Se fosse a intenção de dar o benefício, tem outras formas de você dar o mesmo benefício pela metade do custo que está gerando. Tem o efeito que ela gera no TLP [Taxa de Longo Prazo], que depois volta para o próprio setor. Tem várias distorções. É preciso explicar com calma, é um processo de conscientização. Eu acho que tem que ir aos poucos, formando consenso. Já há, não diria um consenso, mas acho que já é majoritário o entendimento no mercado como um todo de que é um que é um problema que precisa ser enfrentado. Essa é minha percepção. Agora, as soluções variam, como fazer um processo de transição, de ajuste, ninguém é contra apoiar. Mas eu digo assim, como a gente apoia de uma forma eficiente. Hoje, ela não está eficiente.
Contatos: celia.froufe@broadcast.com.br, cicero.cotrim@broadcast.com.br, flavia.said@broadcast.com.br
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