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Coluna do Broadcast Agro: Demanda da indústria alimentícia impulsiona resultados da Lorenz

30 de abril de 2026

Por Leandro Silveira, Tânia Rabello, Gabriel Azevedo e Guilherme Nannini

Maior esmagadora de mandioca do País, a Lorenz, do Grupo GTF, projeta faturar R$ 420 milhões em 2026, 10% mais que no ano passado. O foco para esse crescimento são produtos de maior valor agregado para a indústria de alimentos. A companhia espera vender 12% mais em volume, com avanço de soluções à base de amidos que permitem reduzir custos e melhorar rendimento, como substitutos de óleo e ovo em maioneses, redução de proteína em embutidos e alternativas à gelatina em balas. Esses produtos podem gerar prêmios de até 20% sobre a fécula tradicional, diz Aleksandro Siqueira, diretor de novos negócios do Grupo GTF. A exportação também é prioridade. Hoje 30% a 35% do volume é destinado ao exterior, com meta de chegar a 50% neste ano.

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CRÉDITO: EPITACIO PESSOA/ESTADÃO

Demanda cresce em meio a entraves logísticos

O avanço ocorre mesmo com desafios. Os preços estão mais altos devido à menor oferta de mandioca, ao mesmo tempo em que o frete marítimo subiu cerca de 20% por causa da guerra no Oriente Médio, com prazos de entrega mais longos. Mas a demanda externa segue em alta, especialmente na Europa, onde a mandioca ganha espaço como substituta de amidos de batata, e na América Latina, com demanda de indústrias da Argentina e do Paraguai.

Plano. A companhia prevê investimentos para elevar a capacidade de processamento de 25 mil toneladas para até 35 mil toneladas de mandioca por mês, além de avançar na verticalização das operações. Hoje, a Lorenz usa de 10% a 15% de matéria-prima própria e a meta é chegar a 30%. Com isso, poderá faturar R$ 1,2 bilhão em 2032, com crescimento orgânico e aquisições.

Sinuca de bico. Com os juros altos, elaborar o Plano Safra 2026/27 não será nada fácil para o governo, diz à coluna um executivo de banco. “Se os juros das linhas oficiais forem reduzidos, o Tesouro terá que desembolsar mais na equalização, mas a situação fiscal não é favorável. Se o governo optar por beneficiar os produtores, que clamam por taxas de um dígito, o equilíbrio fiscal se esvai”, resume. Atualmente a Selic está em 14,50% ao ano.

Alternativa. O mercado de leilões de máquinas agrícolas usadas cresceu mais de 30% em 2025 e deve avançar mais 20% neste ano, segundo a Sold Leilões. O setor tem se beneficiado do cenário de juros elevados e do crédito restrito, que seguram o investimento do produtor. Pessoas físicas representam 86% dos compradores em leilões. Grandes grupos, como a Amaggi, já utilizam leilões de forma recorrente para liberar caixa e realocar ativos. Foram mais de 11 mil equipamentos negociados no ano passado. “Esse mercado passou a ter um papel estratégico na gestão do agronegócio”, diz Thiago da Mata, CEO da Kwara, empresa de infraestrutura para mercado de ativos.

Atende o agro. A nstech, empresa paulistana de tecnologia para logística, reforça a aposta no agro em 2026 com investimento em pesquisa e desenvolvimento – que recebe 20% da receita. O agronegócio responde por cerca de 30% do faturamento e cresce acima da média da empresa, que superou R$ 100 milhões de receita mensal em 2025 e projeta crescer 30% neste ano. A companhia desenvolve sistemas para frete, gestão de pátio e monitoramento de cargas, com 75 mil clientes e presença em 16 países. Abriu neste ano uma frente que já reúne 15 grandes embarcadores, entre eles Syngenta, Bayer e Suzano. Uma nova vertical de químicos e celulose está prevista para 2026.

Digital. A transportadora Motz, que tem no agronegócio importante motor de crescimento, projeta ultrapassar R$ 2,3 bilhões em receita líquida neste ano e atingir 25 milhões de toneladas transportadas, 16% mais que em 2025. André Pimenta, CEO, diz que o plano de desenvolvimento apoia-se em inteligência artificial e análise de dados para elevar a eficiência diante da volatilidade cambial e dos reajustes no frete mínimo.

Foco. A meta será buscada via diversificação de cargas em fertilizantes, algodão, açúcar e biocombustíveis, além da liderança já consolidada em soja e milho. “Plataformas digitais, inteligência de dados e rastreabilidade vão ganhar cada vez mais espaço no agro”, diz Pimenta. O agronegócio respondeu por cerca de 90% dos novos negócios fechados pela Motz em 2025.

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