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30 de abril de 2026
Por Leandro Silveira
São Paulo, 30/04/2026 – As associações que representam o setor exportador de proteína animal solicitaram ao governo federal a inclusão das empresas nas linhas de crédito previstas no Plano Brasil Soberano, argumentando que as atuais regras deixam de fora um segmento diretamente afetado pelas instabilidades internacionais. O pleito envolve recursos ofertados pelo programa, voltado a apoiar setores afetadas por crises externas. Medida provisória assinada no fim de março estipulou o acréscimo de R$ 15 bilhões ao programa, anunciado em agosto de 2025.
Em ofício enviado ao Ministério da Fazenda, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) defendem ajustes na regulamentação para garantir acesso ao financiamento. Segundo as entidades, “o acesso às linhas de crédito é fundamental para assegurar liquidez, previsibilidade financeira e continuidade das operações”.
O pedido se baseia na avaliação de que a Portaria Interministerial MDIC/MF nº 171/2026, ao priorizar a indústria de transformação, acaba excluindo o agronegócio exportador. No documento, as associações afirmam que há uma “assimetria entre o objetivo da política pública e sua operacionalização”.
O setor destaca sua relevância estratégica, com presença em cerca de 180 mercados internacionais e forte impacto na geração de empregos. “Trata-se de um fluxo relevante e contínuo de ingresso de divisas, com impacto direto sobre o equilíbrio do balanço de pagamentos”, afirmaram. Em 2025, as exportações somadas de carnes bovina, suína e de frango superaram US$ 31 bilhões.
O pleito ocorre em meio a um cenário de crescente complexidade logística, agravado por tensões geopolíticas no Oriente Médio. A escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel elevou a incerteza em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, afetando o fluxo global de mercadorias.
Segundo as entidades, esse contexto levou armadores a reorganizar rotas e restringir embarques, com reflexos diretos sobre as exportações brasileiras. Como consequência, os exportadores passaram a enfrentar “ampliação significativa dos tempos de trânsito marítimo – estimada entre 10 e 15 dias adicionais – além de elevação expressiva de custos relacionados a frete, seguros e sobretaxas de risco”. Dados recentes indicam impacto também nos volumes embarcados: as exportações de carne bovina, de frango e suína para o Oriente Médio caíram quase 20% em março ante fevereiro.
Esse cenário pressiona o capital de giro das empresas, ao alongar o intervalo entre produção, embarque e recebimento, de acordo com as associações. “As cadeias são caracterizadas por elevados volumes, ciclos produtivos contínuos e alta dependência logística, o que gera pressão significativa sobre o caixa das empresas exportadoras, especialmente entre pequenas e médias agroindústrias”, apontam.
Diante disso, ABPA e Abiec solicitam a inclusão do setor nas linhas de financiamento, além da adequação dos critérios de elegibilidade para contemplar exportadores além da indústria de transformação e permitir acesso a capital de giro. Para as entidades, a medida “contribui para garantir condições adequadas de competitividade internacional” e assegurar o abastecimento global de alimentos.
O ofício também foi encaminhado a outros órgãos do governo, incluindo os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, além da Vice-Presidência da República.
Contato: leandro.silveira@estadao.com
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