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3 de outubro de 2025
Por Beth Moreira
São Paulo, 3/10/2025 – A retomada da adição de beneficiários, a redução de custos e a atuação proativa na prevenção de processos jurídicos têm levado a uma revisão da percepção do mercado sobre a Hapvida.
No último mês, o Safra elevou a recomendação para a empresa a outperform (equivalente à compra), diante do que chamou de “sólido crescimento do mercado privado de saúde nos últimos meses e a percepção de menores riscos regulatórios”. A mesma classificação é atribuída por Itaú BBA, Santander e Bradesco BBI.
O analista Ricardo Boiati, do Safra, reconhece que o banco permaneceu “à margem” do setor porque o balanço entre risco e retorno “não parecia muito atraente”. Agora, com risco menor e fundamentos melhores após os resultados recentes, o Safra vê espaço para uma visão mais positiva, mesmo depois da valorização recente das ações. O banco tem preço-alvo de R$ 55 para o papel.
As adições líquidas de beneficiários da Hapvida no segundo trimestre ficaram consideravelmente acima das expectativas, impulsionadas por melhoras nas vendas brutas e nas taxas de churn (desligamento). Esse desempenho, avalia o Itaú BBA, pode sinalizar um segundo semestre mais promissor.
Em relatório, os analistas Vinicius Figueiredo, Lucca Generali Marquezini e Felipe Amancio disseram que esse movimento pode melhorar a percepção de crescimento no futuro. Eles destacam, ainda, que entre os eventos positivos está o fato de a empresa ter apresentado outro trimestre de impactos controlados de ações civis. O banco tem preço-alvo de R$ 61 para a ação da Hapvida.
“Embora reconheçamos o desafio de equilibrar todos esses fatores simultaneamente, acreditamos que a empresa está monitorando cada um deles de perto, resultando em uma narrativa de investimento mais clara”, afirmam.
Também no último mês, o Santander reiterou visão positiva para a empresa, que é top pick do banco no setor. O grupo ressalta que os números do segundo trimestre de 2025 diminuíram o risco do papel, para o qual mantém preço-alvo de R$ 59,50.
Para o Santander, a ação continua barata, negociada a um múltiplo de cerca de nove vezes o lucro estimado para 2026, já ajustado pelo valor presente do ágio de R$ 4 bilhões.
Retomada
Segundo o diretor de Relações com Investidores e de Mercado de Capitais da Hapvida, Guilherme Nahuz, 2025 marcou a retomada orgânica do crescimento de beneficiários, com a adição de mais de 58 mil vidas em planos de saúde no segundo trimestre. A melhora, destaca, é apoiada por disciplina comercial, jornadas simplificadas e foco em qualidade assistencial.
O fim dos processos de otimização da carteira de clientes e da integração de sistemas também contribuiu positivamente para a retomada do crescimento. Na carteira de clientes em planos de saúde, hoje com mais de 8,8 milhões de vidas, predominam os contratos coletivos empresariais e pequenas e médias empresas (PMEs), com cerca de 20% de contratos individuais ou familiares.
De acordo com o executivo, a estratégia no Sudeste, com densificação de rede própria em São Paulo e no Rio de Janeiro, tende a melhorar conversão e retenção à medida que as fortalezas da companhia – verticalização e integração – ganham força e capilaridade.
No que diz respeito à redução de custos, Nahuz destaca que o modelo verticalizado (hospitais, clínicas e laboratórios próprios) reduz a dependência de rede credenciada e aumenta a previsibilidade das despesas. “No lado operacional, a companhia segue colhendo sinergias após o fim da fase de integração com a sinistralidade, um dos principais indicadores de eficiência operacional, seguindo controlado e em trajetória de melhoria”, afirma.
Além disso, observa, novas unidades inauguradas desde o início do ano, incluindo sete hospitais, naturalmente pressionam os custos no ramp-up, mas passam a diluir despesas à medida que são ocupadas e substituem a rede de terceiros. Em gastos administrativos, acrescenta, iniciativas como automação de autorizações, faturamento e back-office com uso de Inteligência Artificial devem reduzir despesas sem sacrificar a experiência dos clientes.
Judicialização
Outra grande preocupação do mercado diz respeito à judicialização. Nesse quesito, a resposta da companhia combina prevenção com compliance e monitoramento jurídico proativo, pacificação por meio de acordos e gestão ativa do estoque histórico de depósitos judiciais para eliminar duplicidades e buscar recuperações.
“No curto prazo pode haver sobreposição entre acordos atuais e passivos mais antigos, o que afeta a sinistralidade de forma transitória, mas a tendência mais recente é de estabilização de bloqueios novos. A expectativa é de redução da volatilidade jurídica”, afirma o executivo.
Novas frentes
Outra grande aposta é a atuação no segmento premium, no qual a empresa já opera por meio de produtos Preferred Provider Organization (PPO) – linhas Advance, Premium e Infinity -, com uma carteira de cerca de 360 mil beneficiários ao final de junho. “O foco atual dos investimentos é rentabilizar melhor esta base por meio da linha Hapvida Advance, com hospitais e unidades de diagnóstico que elevam a experiência e internalizam procedimentos de maior valor, permitindo à companhia o acompanhamento da jornada completa do paciente”, afirma.
Entre os marcos recentes nesse segmento estão uma ala premium dentro do Hospital Ariano Suassuna, em Recife, que recebeu investimentos de aproximadamente R$ 250 milhões, e a Unidade Avançada Brigadeiro, em São Paulo, projeto que começou com cerca de R$ 35 milhões e pode chegar a até R$ 50 milhões.
A linha Advance contará, ainda, com dois novos hospitais em São Paulo e um hospital de alta complexidade no Rio de Janeiro, que terá uma ala premium.
Contato: beth.moreira@estadao.com
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