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Análise Política: Reunião com Trump faz Lula parecer mais forte após rejeição de Messias

7 de maio de 2026

Por Victor Ohana

Brasília, 07/05/2026 – A oposição bradava que “o governo acabou” na semana passada, ao lotar os corredores do Senado quando o advogado-geral da União, Jorge Messias, teve a sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitada. A articulação do Senado para derrubar Messias deu a oportunidade para bolsonaristas cravarem na testa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a pecha de fraco.

Quem diria que Donald Trump seria o homem a dizer que Lula é “dinâmico”, palavra associada por dicionários à ideia de alguém em movimento. “O presidente Lula tem muita disposição, energia, resolve as coisas, é ativo. Muito boa a percepção do presidente Trump, apesar de ser Trump. Até ele viu o dinamismo do presidente Lula”, avaliou um petista ao Broadcast Político, ao tentar traduzir a expressão para o idioma da política.

Cheia de contradições, a palavra de Trump revitaliza a imagem combalida de Lula no Congresso Nacional. O encontro de Trump e Lula, realizado hoje em Washington, também aumenta a pressão para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), viabilizar mais um projeto de interesse do governo. Se antes, já se contava com o constrangimento dos senadores para aprovar o fim da escala 6×1, agora cresce a expectativa para que o Senado não crie problemas com o projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

É um dia em que Alcolumbre fica um pouco menor na conjuntura. Já na última quinta-feira, em vez de despistar a imprensa com o seu costumeiro e escorregadio bom humor, disse expressamente que não responderia a nenhuma pergunta. Demonstrou irritação quando uma jornalista perguntou como foi a articulação para derrubar Messias: “Vocês sabem de mais coisas do que eu”. Ainda não se sabe se o governo vai reagir com retaliação.

Mas, para além disso, o elogio de Trump a Lula ocorre justo na data de mais um capítulo do caso Banco Master, cuja evolução parece apavorar certas autoridades. A operação policial contra um figurão do Centrão, Ciro Nogueira (PP-AL), ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) e opositor de Lula, gera expectativas de atingir a correlação de forças dentro do Congresso.

A oposição, por sua vez, parece ter pouco a dizer. Alguns afirmam que o encontro de Trump e Lula foi normal, institucional e sem química. Não é certo que Lula ganhe pontos nas pesquisas eleitorais, mas a oposição monitora, um pouco sem graça, a impressão da população após o presidente brasileiro ter feito o ídolo dos bolsonaristas sorrir.

O saldo da visita à Casa Branca não quer dizer que Lula esteja mesmo forte, muito menos no Congresso. Por exemplo, no caso das terras raras: o petista, que já defendeu neste ano a reestatização de refinarias e disse sonhar com uma nova Eletrobras, não engrossou a mobilização de seu partido pela criação de uma empresa pública para monopolizar a exploração de minerais críticos. Aliás, a duras penas, os governistas mantiveram uma trava no projeto da Câmara para garantir algum controle do Estado. E, bom, as pesquisas eleitorais mostram que a disputa contra Flávio pode ser mais acirrada do que aparentava.

Mas, hoje, Lula não parece fraco. Parece “very dynamic”.

O serviço ‘Análise Política’, do Broadcast Político, reúne análises, comentários e bastidores da política nacional.

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