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12 de março de 2026

Nos últimos anos, um nome tem ganhado espaço nas redes sociais e nos debates sobre religiosidade afro-brasileira: Jonathan Pires, conhecido na internet como Jonathan Exu. Autointitulado “o macumbeiro mais famoso do Brasil”, ele se tornou uma das figuras mais visíveis na defesa e divulgação de práticas ligadas à umbanda e a outras tradições espirituais de matriz africana.
Empresário do setor de artigos religiosos e sacerdote, Pires ganhou projeção ao transformar conteúdos sobre espiritualidade, rituais e cultura afro em um fenômeno digital. Em plataformas como Instagram e TikTok, seus vídeos e publicações alcançam milhares de seguidores interessados em temas ligados à religião, à ancestralidade e à simbologia de entidades como Exu.
A presença nas redes se tornou a principal vitrine de seu trabalho. Com uma linguagem direta e muitas vezes provocativa, Pires afirma que busca desmistificar conceitos que, historicamente, foram associados de forma negativa às religiões afro-brasileiras. Um de seus slogans mais conhecidos, repetido em postagens e materiais promocionais, resume esse posicionamento: “Nunca foi sorte, sempre foi macumba”.
Além da atuação digital, Jonathan Pires também ganhou notoriedade pela organização da chamada “Marcha para Exu”, manifestação religiosa realizada na Avenida Paulista, em São Paulo. O evento reúne praticantes e simpatizantes das religiões de matriz africana com o objetivo de celebrar a cultura afro e combater o preconceito religioso.
Segundo os organizadores, a mobilização chegou a reunir dezenas de milhares de participantes em algumas edições, transformando-se em uma das maiores manifestações públicas ligadas à valorização de Exu no país.
Para Pires, a iniciativa tem um caráter educativo e simbólico. Em entrevistas e publicações, ele afirma que a proposta é “mostrar quem é Exu de verdade”, contrapondo-se à associação histórica do orixá com representações negativas difundidas ao longo do tempo.
Paralelamente à atuação religiosa, Pires também se consolidou como empreendedor. Ele está ligado ao comércio de artigos espirituais e produtos voltados ao público praticante de umbanda e outras tradições afro.
O crescimento de sua visibilidade nas redes sociais impulsionou essa atividade comercial, criando uma conexão direta entre conteúdo digital, identidade religiosa e mercado de produtos espirituais.
Especialistas em comunicação religiosa apontam que figuras como Jonathan Pires representam um fenômeno recente: líderes espirituais que utilizam estratégias de marketing digital para ampliar alcance e influência, especialmente entre públicos mais jovens.
A exposição também trouxe polêmicas. O uso da palavra “macumba” como marca pessoal e as disputas relacionadas à organização de eventos religiosos geraram debates entre diferentes grupos do próprio campo afro-religioso.
Ainda assim, Jonathan Pires se consolidou como uma das vozes mais visíveis desse universo no ambiente digital, combinando discurso religioso, ativismo cultural e presença constante nas redes sociais.
Em um cenário marcado pelo crescimento das plataformas digitais e pela disputa de narrativas religiosas, a trajetória de Pires ilustra como líderes espirituais contemporâneos têm encontrado novos caminhos para difundir crenças e mobilizar seguidores no Brasil.
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