Tensões geopolíticas, comerciais e sociais invadem o campo da Copa do Mundo de 2026 com os EUA como um de seus países-sede. Saiba mais.
9 de junho de 2026
Por Thais Porsch
“E vai se criando um clima terrrrrrível!”, clamou Galvão Bueno na derrota do Brasil para a Alemanha por 7 a 1, no Mineirão em 2014. Desde então, o famoso bordão vem sendo usado sempre que algo não acontece como esperado, particularmente por culpa de algo ou alguém.
A frase usada naquele jogo pode ser aplicada para a Copa do Mundo de 2026 em si. O lema da FIFA, órgão que rege o futebol mundial, é o famoso “o futebol une o mundo”, mas a competição está prestes a começar e o contexto é bem outro: tensões esportivas, geopolíticas, comerciais e sociais.
Essa é a primeira Copa do Mundo a ser sediada por três nações: Estados Unidos, Canadá e México. As relações de Washington com seus dois vizinhos, entretanto, ficaram tensas durante o segundo mandato de Donald Trump devido a questões comerciais, de imigração e políticas de fronteira. Isso marcou uma mudança dramática desde que os três países planejaram inicialmente a cooperação em 2017. Adicione ao jogo também a ebulição partidária antes das eleições de meio de mandato nos EUA.
Há ainda temores de turistas e torcedores com o escrutínio migratório e uma guerra no Oriente Médio. Em um momento em que a rivalidade deveria ficar só no campo, o confronto geopolítico inevitavelmente também invade o estádio. O visto concedido pelo governo Trump aos 26 jogadores iranianos permite apenas a entrada temporária nos EUA, não incluindo pernoites em território americano. Com isso, a equipe terá que retornar a Tijuana, no México, após cada jogo.
E, ainda, a poucos dias da estreia do Irã, em 15 de junho, no estádio do Los Angeles Rams, em Inglewood, contra a Nova Zelândia, a federação iraniana de futebol afirmou que a Fifa cancelou a cota de ingressos destinada aos torcedores da seleção iraniana para as três partidas da seleção na Copa do Mundo nos Estados Unidos.
O passe realmente parece de uma bola quadrada.
Por fim, os preços elevados dos ingressos também não ajudam no clima. De acordo com a TicketData, uma plataforma de rastreamento de preços de ingressos, o custo médio para uma partida da fase de grupos em Nova York no final de maio era de US$ 864, com alguns ingressos de revenda sendo listados por milhares de dólares em várias plataformas. Assim como os EUA, essa Copa parece não estar no auge da democracia.
Dadas as tensões internas e externas, observadores e fãs questionam como essa Copa realmente se desenrolará sem criar mais caos ao redor. Um evento que nos relembra a cada quatro anos sobre o poder do globalismo, atualmente, parece um desconvite nas mãos de Donald Trump. O presidente americano admira o evento, mas, principalmente, o futebol como soft power para espalhar sua influência. Contudo, está claro que ele não quer essa festa multiétnica muito perto do seu quintal.
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